Foz do Iguaçu, PR, 21 (AE) - A Operação Padrão realizada hoje pelos auditores fiscais da Receita Federal tumultuou ainda mais a já conturbada fronteira entre Foz do Iguaçu (PR) e Ciudad del Este, no Paraguai. Nessa greve às avessas os fiscais costumam trabalhar mais que o normal, o que gerou muita reclamação dos sacoleiros e formou um enorme congestionamento, ocasionando uma demora de mais de duas horas para a travessia dos 580 metros da Ponte da Amizade, que liga as duas cidades.
Com o pente-fino, os auditores encontraram contrabando escondido até no motor de carros e banheiros de ônibus de turismo, entre outros lugares inusitados. Normalmente a fiscalização na aduana da cabeceira da ponte é feita por amostragem, abrangendo bem menos de 10% dos milhares de veículos que por ali passam todos os dias. Hoje essa proporção foi invertida, o que gerou todo o tumulto. A operação estava prevista para terminar no início da noite. O protesto deve se repetir na próxima terça-feira.
A balbúrdia gerada pela manifestação dos auditores da Receita ocorreu uma semana depois de a Prefeitura e a Câmara de Vereadores de Ciudad del Este terem fracassado por três vezes na tentativa de disciplinar o trânsito na fronteira. Em decorrência do tumulto gerado, os vereadores desistiram temporariamente de restringir os horários dos ônibus de sacoleiros para a travessia da ponte.
A Comissão de Segurança e Trânsito (CST) da cidade vizinha tentou ordenar o fluxo de veículos estabelecendo horário fixo para a travessia dos ônibus, liberando a passagem para os turistas, carros de passeio, táxis e vans. Para muitos sacoleiros, a medida seria mais uma forma de restringir a atuação deles; para outros, iria ajudá-los porque tornaria mais ágil o trânsito entre as duas cidades. O desrespeito à determinação ocasionaria apreensão do ônibus e pagamento de multa de US$ 70,00.
Com o fracasso dessas tentativas, os ônibus de compristas continuam cruzando a fronteira nos dois sentidos a qualquer hora do dia, fazendo o chamado bate-e-volta na parte da manhã, congestionando a fronteira e atrapalhando o trânsito de carros de turismo e caminhões. Com um ritmo lento devido à fiscalização por amostragem, os ônibus acabam formando fila dupla sobre a ponte, obstruindo o tráfego de vans de turismo, kombis, táxis e carros de passeio a uma pista apenas.
A CST estima que cerca de 3,5 mil veículos fazem o transporte de sacoleiros e turistas na fronteira - 1,5 mil em Foz e 2 mil em Ciudad del Este. Serão estes veículos, juntamente com os ônibus de transporte coletivo internacional, os mais beneficiados com a medida que vai obrigar os sacoleiros a usar o transporte alternativo das duas cidades. Pelo menos 500 ônibus de sacoleiros atravessam a ponte toda semana, transportando milhares de sacoleiros.

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