A Operação Noite Fria, intensificada pela Prefeitura de Londrina desde o início do mês, atendeu 99 pessoas em situação de rua entre os dias 9 e 15 de maio, período marcado por chuvas e queda das temperaturas. Do total de atendidos, 97 eram homens e duas mulheres, segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social.

A ação tem como objetivo ampliar o acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade durante o inverno, oferecendo encaminhamento para pernoite, alimentação, banho, cobertores e atendimento social. Neste ano, a operação começou mais cedo e seguirá diariamente até setembro, afirma o secretário da pasta, Cláudio Melo.

De acordo com ele, a estrutura da operação foi reforçada para atender à demanda crescente. Seis servidores foram adicionados à equipe, além da ampliação das abordagens sociais, que passaram a ser feitas por duas equipes simultaneamente. “A Operação Noite Fria é algo que acontece já há muito tempo, mas este ano começamos com antecedência”, afirmou.

Atualmente, a operação conta com ônibus, dois carros de apoio e equipes que percorrem diferentes regiões da cidade, principalmente entre o fim da tarde e a noite, entre 17h e 22h. O ônibus é utilizado para transportar as pessoas acolhidas até o local de pernoite, serviço de casa de passagem localizado na região do Marabá. Segundo Melo, a estrutura inicial contava com 30 vagas, ampliadas depois para 62 vagas no total. O município também utiliza outras unidades de acolhimento quando necessário.

No pernoite, as pessoas acolhidas têm acesso a banho, alimentação, espaço para dormir e café da manhã. Aqueles que desejam permanecer em acolhimentos permanentes podem receber encaminhamentos para outros serviços da assistência social.

O secretário ressaltou que, mesmo quando a pessoa recusa o acolhimento, as equipes oferecem cobertores e mantas em parceria com a Defesa Civil. “O ideal é que a gente consiga levá-los para um espaço protegido, mas, quando isso não acontece, buscamos ao menos minimizar a exposição ao frio”, afirmou.

Criação de vínculos

Além do atendimento emergencial, a operação busca criar vínculos com a população em situação de rua. Segundo o secretário, muitas pessoas recusam inicialmente o acolhimento, o que exige um trabalho contínuo de convencimento e acompanhamento social.

“O número de abordagens é muito superior ao número de pessoas que aceitam o encaminhamento”, explicou Melo. “Para conseguir 99 encaminhamentos, houve muito mais abordagens ao longo desse período.” O volume de pessoas interceptadas pelas equipes não foi informado.

A secretaria estima que Londrina tenha atualmente entre 800 e 1.000 pessoas em situação de rua. Um novo censo deve ser feito nos próximos meses para atualizar os dados.

Todo londrinense pode acionar a Operação Noite Fria ao identificar pessoas expostas ao frio intenso. O contato é feito pelo CEAS (Serviço Especializado em Abordagem Social), pelo WhatsApp (43) 99991-4568. Segundo o secretário, qualquer cidadão pode informar locais onde haja pessoas em situação de vulnerabilidade para que as equipes façam a abordagem.

Melo ressaltou que as equipes da assistência social trabalham de forma integrada com a área da saúde nas abordagens do dia a dia, especialmente em situações envolvendo doenças, transtornos mentais ou uso abusivo de álcool e drogas. Quando necessário, profissionais da saúde acompanham os atendimentos.

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