Operação mira suspeitos de lavagem de dinheiro para o tráfico no PR
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terça-feira, 23 de junho de 2020
Viviani Costa - Grupo Folha 
Facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas foram alvo da terceira fase da Operação Sicário, deflagrada nesta terça-feira (23), no Paraná. A investigação conduzida pelo serviço de inteligência da Polícia Militar em parceria com a promotoria do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) analisa a movimentação financeira de R$ 4,5 milhões em 960 contas bancárias.
Mandados de busca e apreensão e de prisão foram cumpridos nas cidades de Londrina e Rolândia (Norte do Paraná), Curitiba, Campina Grande do Sul e Fazenda Rio Grande (Região Metropolitana de Curitiba) e Iporã (Noroeste).
O promotor do Gaeco em Londrina, Leandro Antunes, afirmou que todos os suspeitos possuem vínculos com os investigados nas outras fases da operação. Mesmo com a atuação da Polícia Militar e do Ministério Público, a organização criminosa criou novas contas bancárias para manter as atividades dentro e fora dos presídios.

“Uma das formas de verificar quem está financiando esse tipo de crime é justamente você seguir os rastros das movimentações financeiras. Só para se ter uma ideia, em uma das contas em que foram constatadas irregularidades na investigação houve uma movimentação aproximada de R$ 900 mil de valores provenientes de práticas de ilícitos. [...] É muito comum a utilização de laranjas conscientes, ou seja, de pessoas que de forma consciente e dolosa emprestam o nome ou dados bancários para que essas movimentações bancárias ocorram”, explicou.
Dois suspeitos (um em Londrina e outro em Campina Grande do Sul) foram presos no início da manhã. Outros dois eram considerados foragidos. Três pessoas foram notificadas para serem monitoradas por tornozeleira eletrônica. Outros dois investigados não foram localizados para monitoramento. As facções criminosas atuam em todo o País.
Aproximadamente, 60 policiais participaram da operação. Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão. Celulares, computadores, documentos e anotações serão analisados pelas equipes e poderão desencadear novas fases. Quantias em dinheiro e uma arma de fogo também foram apreendidas.
“Com o uso do dinheiro, eles acabavam conseguindo exercer um poder de influência maior nessas comunidades e locais onde estão. Não só recrutando pessoas para trabalhar [no tráfico de drogas] como ameaçando pessoas. Eles também usam esses valores para organizar e deflagrar ações contra agentes e autoridades”, comentou o capitão da PM, Ricardo Eguedis.
A primeira fase da Operação Sicário foi realizada em julho do ano passado com 133 pessoas denunciadas pelo Gaeco por envolvimento com facções criminosas. Os investigados atuavam em 40 municípios do Paraná e um em São Paulo. Na segunda fase deflagrada em 21 de novembro em dez cidades do Paraná, 20 pessoas foram presas.


