Uma operação deflagrada nesta terça-feira (18) pelo Gaeco, com participação da Corregedoria da Polícia Militar de Londrina e apoio da Polícia Civil de São Paulo, cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e 18 medidas cautelares diversas da prisão em 12 municípios de três estados. A ação integra a terceira fase da operação Mar Vermelho, que desde 2020 apura o funcionamento de um esquema de desvio e roubo simulado de cargas envolvendo policiais militares e civis, empresários, motoristas e um advogado.

As ordens judiciais atingiram cidades do Paraná (Londrina, Cambé, Ibiporã, Arapongas, Guarapuava, Matinhos e Curitiba), de São Paulo (Mairiporã e capital) e de Santa Catarina (Joinville, Itapoá e Caçador). Sete policiais foram alvos nesta etapa: cinco da ativa que acabaram afastados, um da reserva e outro já exonerado anteriormente. Não houve mandados de prisão, mas duas pessoas — entre elas um policial — foram detidas em flagrante por posse de munição.

Esquema dividido em três núcleos

De acordo com o Gaeco, o grupo estruturava suas ações em três núcleos: operacional (motoristas), receptador (empresários) e policial. A investigação aponta que motoristas envolvidos carregavam cargas lícitas e as repassavam a um segundo condutor, responsável por entregar os produtos a receptadores previamente definidos. Enquanto isso, o primeiro motorista se apresentava em unidades policiais específicas para registrar um boletim de ocorrência falso, simulando ter sido vítima de roubo.

Segundo o Ministério Público, os boletins eram produzidos por policiais civis e militares cooptados, que recebiam cerca de R$ 5 mil por ocorrência. As cargas desviadas eram comercializadas e o valor repassado ao líder do grupo, responsável por distribuir os pagamentos entre os integrantes do esquema.

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“Esta fase da operação visa investigar crimes relacionados com a lavratura de boletins de ocorrência falsos, além da prática de apropriações indevidas e outros crimes ligados a uma organização criminosa que estava estabelecida em Ibiporã e praticava desvios de cargas", explicou o promotor de Justiça Leandro Antunes Meirelles Machado.

Medidas cautelares e apreensões

As determinações judiciais partiram da Vara da Auditoria da Justiça Militar do Paraná e da Vara Criminal de Ibiporã. Entre as medidas impostas aos sete policiais investigados estão suspensão do exercício da função pública, proibição do uso de fardamento e armamento (institucional ou particular) e bloqueio de acesso a sistemas policiais. Também foi determinada a proibição de contato entre investigados e testemunhas, além de restrições de deslocamento.

Durante o cumprimento dos mandados, fardas, equipamentos e documentos foram recolhidos e encaminhados ao Gaeco. Os nomes dos policiais não foram divulgados.

Com informações do Ministério Público do Paraná

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