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Operação mira esquema de compra e venda de pontos na CNH

Indicação de pessoas mortas para assumir pontuação na carteira de motorista fazia parte da estratégia adotada pela organização criminosa no Paraná

Viviani Costa - Grupo Folha
Viviani Costa - Grupo Folha

A Polícia Civil do Paraná cumpriu 119 mandados de busca e apreensão e prendeu 13 pessoas, ao longo desta quarta-feira (17), suspeitas de envolvimento em um esquema de comercialização de pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Os alvos dos mandados foram endereços de pessoas físicas, despachantes e empresas em Maringá, Curitiba, Londrina, Cambé e Foz do Iguaçu, além de outros nove municípios do estado. Ao todo, 250 policiais foram mobilizados após nove meses de investigações. 


 

Operação mira esquema de compra e venda de pontos na CNH
Divulgação - PCPR
 


Conforme informou à FOLHA o delegado Leonardo Carneiro Bueno, quatro pessoas de Londrina e uma de Cambé serão ouvidas nos próximos dias. Alvos de mandados de busca e apreensão, esses cinco condutores de veículos têm antecedentes criminais e teriam atuado como "clientes" do grupo criminoso em busca de transferir pontos de suas CNHs para evitarem a suspensão do documento e a reciclagem exigida pelo Detran-PR (Departamento de Trânsito do Paraná).   


Conforme o diretor de Operações do Detran-PR, Adriano Furtado, os profissionais identificaram indícios de fraude ao cruzar informações repassadas na apresentação dos condutores que seriam responsáveis pelas infrações de trânsito.


“Temos uma rotina nos nossos sistemas para identificar quando a indicação de condutor está fora de uma normalidade. Existem alguns procedimentos internos administrativos e a gente identificou que poderia existir uma organização criminosa. A indicação de alguém que não é o condutor evita todo o processo de suspensão e de aplicação de penalidade e evita também a reeducação do condutor”, explicou.


Os documentos foram repassados a Delegacia de Delitos de Trânsito da Polícia Civil, que abriu inquérito para apurar as irregularidades. Durante os nove meses de investigação, os policiais identificaram despachantes, empresas de consultoria de trânsito e autoescolas, além de pessoas físicas, que estariam envolvidas no esquema de compra e venda de pontos na CNH.


Conforme a Polícia Civil, informações obtidas desde 2018 apontam para a existência de 3,5 mil pontos fraudados.


“Diversos proprietários de veículos estavam indicando como condutores pessoas já falecidas. Constatamos também que pessoas vivas estavam sendo indicadas como condutoras de veículos em multas ocorridas no mesmo dia, em horários próximos, no entanto, em locais diferentes e com veículos diferentes, gerando indícios de fraude”, detalhou o delegado Edgar Santana.


As empresas são suspeitas de intermediar negociações de compra e venda de pontos. Ao longo das investigações, o sistema interno do Detran-PR foi aprimorado para evitar novas fraudes.


O balanço final da operação repassado pela Polícia Civil apontou que das 13 pessoas presas, sete possuíam mandados de prisão temporária e seis foram presos em flagrante por crimes como embriaguez ao volante, afastar-se de local de crime para fugir da responsabilidade civil e penal, tráfico de drogas e estelionato. Uma pessoa foi autuada por posse de drogas para consumo próprio. No entanto, crimes como porte ilegal de arma de fogo, furto, falsificação de selo ou sinal público, uso de documento falso, dirigir sem CNH, associação criminosa, receptação e sonegação tributária também recaem sobre os suspeitos presos nesta quarta-feira. 


Os integrantes do grupo responsável pelas fraudes são investigados por falsidade ideológica e associação criminosa. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão foram encontrados, aproximadamente, 50 quilos de pedras preciosas em estado bruto que seriam avaliadas em US$ 1,7 milhão, segundo informou um dos suspeitos à Polícia. Desta forma, a Delegacia também investigará o cometimento do crime de lavagem de dinheiro. Celulares, notebooks, HDs externos, folhas de cheques, cópias de CNHs, documentos de veículos e autos de infrações de trânsito apreendidos também servirão como provas ao longo do inquérito.  (Colaborou Vitor Struck). 


(Matéria atualizada às 16h50)

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