Operação Mandacaru poderia ter custado mais, diz general
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quarta-feira, 01 de dezembro de 1999
Por Angela Lacerda 
Salgueiro, PE, 01 (AE) - O comandante da Operação Mandacaru, general-de-reserva Gilberto Serra, afirmou hoje que o projeto poderia ter custado muito mais do que R$ 7,5 milhões. "Fez-se economia, reajustes foram feitos", disse ele, que não considera a operação cara diante da quantidade de órgãos envolvidos, dos 1.500 homens envolvidos e do propósito de combater o narcotráfico. De acordo com o general, entre as atribuições da Operação Mandacaru está a investigação de mais de 100 pessoas ligadas ao narcotráfico.
Há um ano a Polícia Federal de Pernambuco apresentou ao Ministério da Justiça (que financia o Mandacaru) um projeto de erradicação da produção e tráfico de maconha no Polígono da Maconha, no sertão pernambucano, a um custo total de R$ 695 mil, com a participação de 90 homens e durante um ano inteiro. O projeto não foi aprovado.
Equipe - O general disse estar convicto de que nenhum órgão sozinho pode resolver o problema. E defende a Operação Mandacaru como a fórmula certa porque integra todas as polícias e órgãos federais envolvidos no combate ao narcotráfico. Para Serra, o entrosamento entre a Polícia Federal e o Exército é bom e não prejudica a Operação.
Apesar do descontentamento da Polícia Federal com o projeto. Criada pela Secretaria Nacional Antidrogas, a Operação Mandacaru reflete a queda-de-braço entre a PF e o Exército desde a criação da secretaria e mostra a dificuldade de um órgão se submeter ao comando do outro.
O general Serra ressaltou que a Mandacaru vai dar apoio à Justiça nos processos de expropriação de terras onde foram encontrados plantios de maconha. O primeiro caso a contar com esse apoio é o da Fazenda Barra, de 1.472 hectares, em Cabrobó. Ele recebeu o pedido da procuradora Josefa Maria Lourenço da Silva para que seja feita uma perícia complementar na propriedade, que teve expropriação requerida pela União Federal. O comandante se comprometeu a enviar pessoal técnico e helicóptero para fazer o trabalho.
Sobra - Na avaliação do general, o número de policiais destacados de todo o País para a Mandacaru não é excessivo. Hoje
na base para a erradicação de plantios da droga, instalada na Ilha de Assunção, em Cabrobó, a 606 quilômetros do Recife, a impressão que se tinha era de gente sobrando. Vários policiais federais pareciam estar ociosos, cerca de 20 agricultores contratados para cortar maconha cantavam e descansavam deitados no chão e, no galpão, cerca de 60 homens do Exército dormiam, conversavam ou jogavam videogame.
O general explicou que o excesso era apenas aparente, pois os pelotões do Exército trabalham em sistema de revezamento. Portanto, os que descansavam estavam de folga.


