Operação Luz na Infância prende 61 suspeitos de pedofilia
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sexta-feira, 23 de novembro de 2018
Pedro Moraes <br> Reportagem Local 

A Operação Luz na Infância 3, coordenada entre a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) do Ministério da Segurança Pública e as Polícias Civis de 18 Estados e do Distrito Federal, efetuou a prisão de cinco suspeitos no Paraná, nas cidades de Curitiba, Maringá, Cascavel, Mandaguari e Paranavaí, na manhã de quinta-feira (22). Em todo o País foram cumpridos 69 mandados de busca e 61 pessoas foram presas. A Polícia Federal também participou dos trabalhos através da Operação Atalaia. O trabalho é um esforço internacional no combate ao abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes praticados na internet. Também houve ações em Buenos Aires, capital da Argentina, onde foram cumpridos 41 mandados de busca. "Aqui no Paraná, foram presas pessoas que utilizaram programas de download de arquivos deste tipo. Encontramos tanto fotos quanto vídeos envolvendo criança e adolescente em situação de pornografia. Não encontramos nenhum tipo de organização criminosa, mas, sim, meros usuários que fizeram armazenamento de arquivos", explicou o delegado adjunto do Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente), José Barreto.
As ações simultâneas mobilizam um efetivo aproximado de mil policiais, sendo que, no Paraná, 54 policiais civis deram apoio - servidores dos Nucrias, do Nuciber (Núcleo de Combate aos Cibercrimes), da Delegacia do Adolescente de Curitiba, além das Subdivisões de Maringá e Cascavel e Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) de Londrina. Os presos eram todos homens, três jovens de 21 anos e dois maiores de 60 anos. "Todos realmente ficaram assustados, não esperavam que a polícia fosse aparecer, mas também não reagiram com violência. A surpresa maior foi por parte dos familiares. Em um dos casos achávamos que o alvo seria o pai, mas depois chegamos à conclusão de que era o filho", detalhou Barreto. No Paraná, foram dez mandados de busca e apreensão. Em Curitiba, os alvos (três mandados de buscas) foram cumpridos nos bairros São Braz, Pinheirinho e Xaxim. Houve apreensão de muitos equipamentos como HDs, CDs, DVDs e até o bloco de anotações de um dos presos, no qual ele organizava os arquivos por tipo de pornografia.
Os números da apreensão são expressivos em todo o País. Segundo informações da Polícia Civil do Rio de Janeiro, um dos presos, um professor de inglês de Niterói, havia realizado 48 mil downloads de pornografia infantil. A Polícia Federal informou que faz esforços especiais e qualificados na vigilância permanente na internet para prevenir e reprimir crimes relacionados às violações sexuais contra crianças e adolescentes. A corporação também investiga eventuais delitos conexos, relativos à prática de violência sexual contra crianças e à produção do material pornográfico ilícito, cujas penas podem chegar a 15 anos de reclusão.
O Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, ressaltou que o sucesso das operações se deve à implantação do Susp (Sistema Único de Segurança Pública). "A criação do Susp e de uma política de segurança pública permite que todas as forças de segurança possam atuar conjuntamente, em todo o território nacional, apresentando resultados que vão ao encontro do desejo de todos: assegurar a redução da violência e promover mais segurança à população", afirmou.
Já o diretor de Inteligência da Senasp, Carlos Afonso Coelho, afirmou que a parceria com o governo argentino foi uma decorrência de uma visita realizada por policiais do país vizinho aos órgãos de segurança em agosto deste ano. "Eles puderam conhecer os métodos de investigação para esse tipo de modalidade criminosa e como as ações são executadas posteriormente. Na ocasião, nossas equipes auxiliaram na identificação dos alvos, no intuito de contribuir no combate a esse tipo de crime também em território argentino", detalhou.
TERCEIRA FASE
A Operação Luz na Infância começou em outubro de 2017, quando foram cumpridos 157 mandados e presos 112 suspeitos. Na segunda edição, ocorrida em maio de 2018, houve cumprimento de 579 mandados de busca, resultando na prisão de 251 pessoas. Esta fase da operação ainda conta com a cooperação da Polícia de Imigração e Alfândega dos EUA, o Corpo de Investigações Judiciais do Ministério Público Fiscal da Cidade Autônoma de Buenos Aires. "Com toda a certeza haverá outras etapas desta operação. É um trabalho que deve ser contínuo porque o número de crianças e adolescentes que são submetidos a esse tipo de crime é muito grande. É preciso uma união de esforços por parte de todas as polícias dos Estados para acabar com esse tipo de crime", concluiu Barreto. (Com Agências)


