Há um mês a Polícia Federal brasileira pôs em marcha a Operação Cobra (primeiras sílabas de Colômbia e Brasil), cuja eficiência para conseguir impedir a entrada de cocaína no país via aérea ou fluvial vem provocando ceticismo entre os moradores da fronteira.
Um total de 180 agentes federais foram mobilizados nos 1.644 km que separam o Brasil da Colômbia. De Tabatinga a Cucuí, povoado mais ao norte, entre Colômbia, Brasil e Venezuela, funcionam sete pontos de controle nos principais rios voltados para ‘‘prevenir antes que remediar’’, explica o chefe da operação Cobra, Mauro Spósito.
E o ‘‘mal’’ não é outro senão a chegada em massa de traficantes colombianos.
Na região de Tabatinga, há um ano foi confiscada uma tonelada de cocaína, tendo sido desarticulados dois microlaboratórios de refino; mais de 100 pessoas estão presas.
Com um orçamento de US$ 10,4 milhões, a Operação Cobra foi anunciada como um consistente sistema de defesa e repressão. No entanto, em Tabatinga, sua sede de operações, a população duvida muito de que possa interceptar nem sequer a metade das toneladas de cocaína que cruzam esta região anualmente. ‘‘Aqui há muita droga, é difícil encontrar uma pessoa que nunca tenha vendido ou comprado cocaína’’, asseguram os moradores.
Dirigentes de organizações indígenas dizem que a operação é demasiado pública e por isso será um fracasso, a Igreja considera que o importante é educar e não reprimir e até fontes militares manifestaram dúvidas sobre a eficácia desta ação prevista para durar apenas três anos.
No entanto, segundo Espósito a história parece outra. Em seu escritório de Tabatinga está minuciosamente organizada abundante informação sobre a guerrilha marxista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), sobre os cultivos de coca no país vizinho e mapas detalhados sobre operações guerrilheiras ou presença paramilitar enchem as paredes. (France Presse)