Um paraguaio que vivia em um hotel em Maringá é o único suspeito que ainda não foi preso no norte do Estado pela Operação Dilúvio da Polícia Federal, que investiga esquema de fraudes em importações. Horácio Alberto Juanes Nienz Titta, segundo fontes da PF, seria cunhado do empresário preso em São Paulo, Marco Antônio Mansur, apontado como um dos líderes da organização criminosa que atuava em mais sete estados brasileiros e teria sonegado ao menos R$ 500 milhões em impostos aduaneiros. No Paraná, 32 pessoas foram presas. Além disso, foram cumpridos todos mandados de busca e apreensão em Curitiba, Maringá, Londrina e no litoral.
Somente no norte do Estado foram presas 21 pessoas suspeitas de participarem no esquema, entre eles servidores públicos federais, estaduais e municipais. A Folha apurou ontem com fontes federais que a única prisão efetuada em Londrina foi da funcionária Fernanda de Araújo Zambroti, que trabalharia numa empresa suspeita de participar do esquema. Ela foi encaminhada para a Delegacia da Polícia Federal em Maringá e, por falta de vagas na carceragem local da PF, foi transferida para uma cadeia feminina em Astorga, distante 80 km a oeste de Londrina. As prisões são temporárias, válidas por cinco dias, mas a PF deve ingressar com pedidos de prorrogação desse prazo.
Ontem todo material apreendido nas oito empresas visitadas pelos agentes em Londrina e em Maringá foi levado para a delegacia federal de Paranaguá. Em razão do grande volume de documentos, computadores e mercadorias apreendidas, o balanço deve demorar alguns dias para ser concluído.
Segundo a PF, a organização criminosa desbaratada na Operação Dilúvio havia montado um esquema de sonegação de impostos em importação de mercadorias para abastecer com produtos irregulares ao menos 24 grandes empresas brasileiras. Em todo o país, foram presas 95 pessoas e expedidos 220 mandados de busca e apreensão. O grupo teria, inclusive ramificações em Miami, no Estados Unidos, onde foram presos dois empresários. Ao todo, a operação envolveu 950 agentes federais e mais 350 fiscais da Receita Federal. (Colaborou Giancarlo Franquini).

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