‘‘Operação desmonte’’
teve buzinaço e oração
Murilo Gonçalves: ‘‘Agora somos uma classe organizada’’Em Londrina, a opinião comum entre os caminhoneiros ontem, após o fim do movimento, era a de que a categoria pode deflagar uma nova greve no Paraná, caso o governador Jaime Lerner (PFL) não concorde em seguir os passos do governo federal, baixando os preços dos pedágios nas estradas estaduais.
O Sindicato dos Caminhoneiros do Paraná pleitea a redução dos preços para R$ 1 por eixo, segundo o auxiliar do sindicato, Getúlio dos Santos. Atualmente, os caminhoneiros pagam até R$ 4,50 por eixo.
A desmobilização dos caminhoneiros nos cinco piquetes de Londrina começou às 18 horas de ontem. Apesar dos motoristas terem notícia do término da greve através de rádio e televisão desde às 16h45, eles aguardavam a confirmação oficial da direção do sindicato, por telefone celular. Os caminhões começaram a ser retirados do pontilhão da BR-369 (saída para Cambé) às 18h30, depois que os motoristas rezaram um pai-nosso e uma ave-maria. Houve ‘‘buzinaço’’ na saída dos veículos.
O presidente do sindicato em Londrina, Murilo Gonçalves, avaliou o resultado do acordo como positivo. ‘‘Nossa manifestação foi vitoriosa e fez o governo federal balançar as pernas. Os caminhoneiros agora têm nome. Para o governo, somos pior do que os sem-terra’’, disse. ‘‘Apesar de termos conseguido 30% das reivindicações, o governo prometeu negociar os outros pontos nos próximos 60 dias. Se em dois meses não conseguirmos nada, paramos de novo. Agora, somos uma classe organizada’’.
No Paraná, Getúlio Santos disse que a situação é mais séria porque até agora o governador não admitiu qualquer negociação com a categoria. A maioria dos grevistas parados em Londrina ficou decepcionada com o acordo entre o governo federal e o movimento nacional. ‘‘O principal ponto da negociação, que era fixar um teto para o preço do frete, não foi firmado’’, reclamou Sílvio Marcelo Carvalho, de 28 anos. (Cláudia Lopes, de Londrina)

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