Operação desarmamento tem início em Querência
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Lucinéia Parra 
Cerca de 60 policiais militares, incluindo policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE) participaram ontem, da primeira etapa da operação desarmamento, na região de Querência do Norte (113 quilômetros a noroeste de Paranavaí). As barreiras foram montadas nas proximidades de todos os Portos da região (são oito no total), na entrada das cidades vizinhas de Querência do Norte e nas estradas vicinais que dão acesso aos assentamentos e áreas de conflitos. Outros cinco bloqueios com policiais militares foram instalados na divisa com Mato Grosso do Sul.
Durante a operação, os policiais revistaram todos os veículos que trafegavam nas rodovias. O objetivo, de acordo com o comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar de Paranavaí, Gilberto Kummer, é evitar novos conflitos na região desarmando a população.
Os veículos mais visados pelos policiais durante a operação foram os da marca Volkswagen, principalmente os modelos Parati, Gol, Voyage e Saveiro. Conforme o tenente Adalto Geraldes, os quatro modelos de veículos têm uma parte oca nas laterais que permite esconder armamentos e drogas. Para descobrir o esconderijo basta retirar uma peça de plástico anexada na lateral.
A operação desarmamento foi determinada pela Secretaria de Segurança Pública e deve durar até sábado. Os policiais, conforme Kummer, ficarão nos pontos estratégicos das rodovias da região Noroeste, inclusive à noite.
O comando da Polícia Militar de Paranavaí, que coordena a operação junto com a Polícia Civil, não apresentou ontem à tarde o balanço do primeiro dia da operação.
A operação de desarmamento no campo na região Noroeste resultou ontem na prisão de três suspeitos da morte do agricultor Eduardo Anghinoni, irmão do líder sem-terra Celso Anghinoni, assassinado no dia 29 de março no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte.
Uma das testemunhas ouvidas pela polícia, integrante do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), contou que uma semana antes do crime pegou carona na estrada com o segurança Ivo Lopes. Durante o trajeto, Lopes teria feito uma série de perguntas sobre hábitos e costumes do líder sem-terra Celso Anghinoni. (Colaborou Israel Reinstein)


