Uma operação que mobilizou 170 policiais civis e militares na manhã de ontem desmantelou duas quadrilhas especializadas em explosão de caixas eletrônicos que atuavam no Noroeste e Centro-Oeste do Estado. Os mandados foram cumpridos em nove cidades nas regiões de Campo Mourão, Umuarama, Cianorte, Paranavaí e Maringá. Ao todo, 21 pessoas foram presas e três suspeitos morreram em troca de tiros com a polícia.
De acordo com o secretário de Secretário de Estado de Segurança Pública, Wagner Mesquita, a polícia já investigava as quadrilhas havia mais de quatro meses, desde o ataque ao posto de atendimento do Bradesco, em São Carlos do Ivaí (Noroeste), no final de março deste ano. Os investigados são suspeitos de serem autores de 16 explosões de caixas eletrônicos em dez cidades do Noroeste e Centro-Oeste. A polícia estima que as quadrilhas levaram mais de R$ 1 milhão em roubos.
Os policiais deram início a Operação nomeada de Partenon na madrugada de ontem. A ação ocorreu simultaneamente em Campo Mourão, Barbosa Ferraz, Umuarama, Engenheiro Beltrão, Jussara, Cidade Gaúcha, Araruna, Maringá e Cianorte, onde ocorreu a maioria das prisões. Várias informações sobre os envolvidos foram obtidas por meio de mensagens do celular de Maik Alves de Souza, suspeito de comandar um dos grupos que estava preso na Casa de Custódia de Maringá desde março, após ser transferido de Curitiba, onde foi detido por roubar um carro. Segundo as investigações, ele continuava coordenando os ataques de dentro da prisão.
Dos três suspeitos que morreram em confronto com a polícia, o primeiro foi Edézio Fernando Baizam, de 28 anos. Durante a abordagem da polícia em uma casa no Jardim Lar Paraná, em Campo Mourão, três homens se entregaram, mas Baizam teria disparado com uma pistola contra os policiais. Ele foi alvejado e morreu na hora. Já em Umuarama, a polícia cercou uma casa no Jardim Modelo e trocou tiros com Julinho Kloster, de 39 anos. Ele também não resistiu aos ferimentos. Em Barbosa Ferraz, o pai de um suspeito reagiu durante a chegada da polícia e também morreu durante o confronto.
Segundo Mesquita, a polícia sabia que os suspeitos poderiam reagir no momento da abordagem. "Durante esta ação tivemos equipes com equipamento e treinamento adequados já prevendo uma situação de possível confronto. A polícia já sabia o grau de periculosidade dos alvos e se preparou para isso", explicou. "Em relação às mortes, vamos fazer apuração específica em cada caso. Não dá para falar de maneira genérica, mas são indivíduos de alta periculosidade, armados e já haviam proferido disparos contra os policiais", completou.
Para o coronel Samir Elias Geha, comandante do 3º Comando Regional da Polícia Militar de Maringá, a ação mostra a preocupação com a segurança da população paranaense. "Nós demos a resposta à altura para a criminalidade que o país inteiro estava esperando", avaliou. Geha lamentou a necessidade dos confrontos e alterou um discurso comum entre os que defendem a execução. "Como dizem: ladrão bom é ladrão preso", completou.

MUNIÇÃO

Com os suspeitos foram apreendidos um fuzil, uma espingarda, pistolas 9 milímetros, calibre 45 e calibre 22, um revólver calibre 22 e um calibre 38, além de várias munições, colete balístico, máscara de gás, R$ 3 mil e 16 veículos. Além disso, a quadrilha também tinha uma farda da Polícia Militar utilizada para cometer crimes. De acordo com a polícia, Michael Douglas Moreira da Silva, o Cabeção, continua foragido.

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