Uma verdadeira operação de guerra está montada em Mato Grosso do Sul e será desencadeada a partir de segunda-feira contra a pesca predatória em todos os rios do Estado. São 400 soldados da Polícia Militar Ambiental armados com fuzis, metralhadoras e revólveres, tendo à disposição 50 barcos com motor de popa, lanchas, um navio, um helicóptero, um avião, dezenas de veículos para transporte terrestre e até recursos técnicos para atuação durante a noite. É que na próxima segunda-feira os cardumes de peixes começam a subir os rios para desovar nas cabeceiras, tornando-se presas fáceis dos pescadores. Desde 1998, a pesca predatória é considerada crime ambiental, prevendo, além de prisão de até 5 anos, multas a partir de R$ 700,00, podendo chegar a R$ 100 milhões.

Em São Paulo, pelo menos nove pessoas já foram detidas ao pescar de forma irregular no Rio Piracicaba e outras duas em lagoas marginais, próximo ao município de Conchas, a 190 km de São Paulo. A operação no Rio Piracicaba contou com participação de 20 policiais. ''A fiscalização, a partir de agora será contínua'', disse o sargento da Polícia Florestal, João Mauro Zambom. Apenas a pesca de barranco está liberada, mas há a necessidade de respeitar uma distância 1,5 mil metros de corredeiras e cachoeira. A pesca de barco está proibida.

Já a Polícia Florestal de Foz do Iguaçu (PR) terá dificuldade para controlar a pesca ilegal no período da piracema, que começou dia 1º e vai até fevereiro. Além das águas sob domínio da União na fronteira, os 34 soldados da unidade precisam monitorar o Parque Nacional do Iguaçu, que tem área equivalente a 171 mil campos de futebol, e ainda fazer serviços administrativos.

Anteontem, soldados da Polícia Militar Florestal vistoriaram trechos do Rio Paraná, em Foz do Iguaçu. O trabalho no período de proteção à reprodução de peixes será estendido para os rios da região, entre eles o Iguaçu e o Lago de Itaipu, como determina portaria do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

No primeiro dia de inspeção em Foz foram dadas orientações aos pescadores de barranca sobre a importância de preservar as espécies. Durante a revista não foram encontrados pescadores em barcos ou lanchas.

Os soldados lembraram que a legislação permite aos profissionais habilitados capturar e transportar até cinco quilos de peixe desde que respeitados os tamanhos mínimos estabelecidos pelo Ibama, e também a espécie capturada.

Durante a última piracema, apenas na região de Foz, foram registradas 130 ocorrências, 32 prisões, 254 quilos de pescado apreendido, 16 multas (total de R$ 16.520,00), além de apreensão de 12 embarcações, 7.190 metros de rede, 21.673 de espinhel e 13 tarrafas. (Com agências)

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