Um bairro da periferia de São Bernardo, SP, cidade da região metropolitana mais rica do país, viveu ontem pelo menos 11 horas de pânico, quando policiais militares entraram em conflito armado com moradores durante uma operação de despejo.
De um lado, 340 PMs, armados com revólveres, espingardas e fuzis, dispararam tiros com balas de borracha e lançaram bombas de gás lacrimogêneo. De outro, cerca de mil moradores despejados de suas casas armaram barricadas incendiárias (foram cinco ao todo), promoveram chuvas de pedras, lançaram coquetéis molotov e bombas de fabricação caseira e dispararam morteiros contra os PMs.
Os feridos de ambos os lados somam 20, nenhum grave, duas crianças. Mas o que surpreendeu foi a agressividade do conflito, incomum até para o coronel PM Jairo Paes de Lira, comandante da tropa de choque. ‘‘Eu nunca vi uma resistência como essa na minha vida , afirmou ele, às 16 horas, 11 horas depois do início da operação.
Naquele momento, começavam a ser demolidas as primeiras das 350 casas construídas no terreno desocupado. Construídas em alvenaria, as construções custaram até R$ 21 mil a seus proprietários. Os moradores desalojados ontem pagaram pelos terrenos. Não se tratava de uma invasão. A razão da remoção é que o loteamento foi feito de forma irregular, descumprindo a lei de proteção de mananciais. Os responsáveis pelo loteamento têm sua prisão decretada, mas estão foragidos.
Embora tenha chegado às 5 horas, a tropa de choque encontrou os moradores acordados. Uma equipe especializada em explosivos chegou a procurar dinamite em uma ponte que dava acesso ao local. Policiais especializados em ações na mata fizeram uma varredura em uma floresta ao lado do terreno. Os confrontos começaram junto com a desocupação das casas. Alguns moradores foram retirados sob uma cortina de gás. Outros, sob a mira de uma arma.France PresseGuerraA agressividade do conflito surpreendeu até o comando da PMAgência Folha

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