Operação da Polícia Ambiental resgata 642 galos de rinha
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terça-feira, 19 de julho de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 


A Polícia Ambiental concluiu nesta terça-feira (19) a Operação Gladiadores, com a prisão de 47 pessoas envolvidas em rinhas de galo no Norte do Paraná. Ao todo, 642 galos foram resgatados nas três fases da operação iniciada em 25 de junho. Segundo investigação conduzida nos últimos três meses em parceria com a Promotoria de Justiça de Centenário do Sul, um dos grupos movimentava, aproximadamente, R$ 15 mil a cada dia de realização de rinhas.
A soldado Camila Reina, porta-voz da Polícia Ambiental em Londrina, lembra que a criação dos galos da espécie índio é permitida. No entanto, o "treinamento" e a prática de rinhas configuram crime de maus-tratos aos animais, cuja pena varia de 3 meses a 1 ano de detenção. "Era uma rede bem articulada. Os treinadores começam a soltar as aves, com apenas alguns dias de vida, a partir de uma altura X, para que a lesão fortaleça a musculatura das pernas dos animais. Essa altura aumenta com o passar do tempo para potencializar o efeito dos golpes", explicou. Os galos também são arrastados pelo rabo em forma de oito para aumentar a resistência. Os ferimentos causados durante as "lutas" são tratados, em geral, com materiais cirúrgicos e medicamentos impróprios para animais. As aves também recebem doses de anabolizante.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em casas e chácaras nas cidades de Centenário do Sul, Jaguapitã, Porecatu, Apucarana e Arapongas. Os proprietários dos animais foram investigados a partir de denúncias anônimas. Materiais como biqueiras de ferro, esporas de plástico e balanças para verificar o peso dos animais também foram apreendidos. "Os animais não se ferem no treinamento por causa das biqueiras de silicone e da espuma colocada na espora. No dia da luta, é colocada uma biqueira de ferro e uma espora de plástico duro para potencializar o corte no oponente. O ferimento que esses materiais causam muitas vezes é fatal para o animal atingido", lamentou Camila.
Durante a primeira fase, os policiais descobriram uma chácara em Arapongas onde eram realizados os eventos. As chamadas "reuniões" com cobrança de ingressos, venda de produtos e arenas construídas para as rinhas foram reveladas por meio de interceptações telefônicas feitas durante as investigações. "Nessa região existem muitos proprietários e treinadores. É uma prática extremamente sangrenta, que envolve muito dinheiro e muitos apostadores. Havia cadeiras cativas nesse lugar", afirmou a soldado.
Os galos recolhidos foram levados para várias instituições de defesa dos animais. Camisetas, bonés e produtos comercializados pelos integrantes dos grupos também foram apreendidos. Em um jaleco encontrado pelos policiais constava a frase: "Nós criamos por amor, eles brigam por instinto".
Os presos foram levados até a delegacia, assinaram termo circunstanciado e devem responder em liberdade pelo crime de maus-tratos aos animais. "Infelizmente, a pena é branda. Um dos criadores preso na primeira fase da operação foi detido novamente na terceira fase. Em menos de um mês", afirmou. Após denúncia anônima, policiais identificaram um veículo que transportava cinco galos para Maringá. Os animais estavam no porta-malas. Três homens foram presos. Na casa de um dos detidos foram encontrados mais seis galos. De acordo com a Polícia Ambiental, a operação foi concluída, mas as investigações continuam.
O promotor Renato dos Santos SantAnna, que atua em Centenário do Sul, destaca que a proximidade com São Paulo e Mato Grosso do Sul facilitam a prática ilegal. "Geralmente, as rinhas são feitas em cidades pequenas, com pouco movimento e várias chácaras", apontou. "A operação foi muito positiva. Estamos em pleno século XXI. A Constituição de 1988 já proíbe os maus-tratos contra animais, mas esses crimes eram deixados de lado. Muitas pessoas viviam disso na região e sustentavam suas famílias. Essa prática não pode ser considerada normal. Ela tem que ser extirpada", completou SantAnna.
Os presos também devem ser denunciados pelo Ministério Público pelo crime de associação criminosa. A pena varia de 1 a 3 anos de detenção e pode ser aumentada em razão de armas apreendidas no cumprimento de alguns mandados.


