Curitiba - A Polícia Federal (PF) prendeu ontem quatro doleiros, considerados membros de grandes grupos acusados de lavagem de dinheiro, que teriam movimentado até R$ 10 bilhões. As investigações, que duraram nove meses, enfocaram mercado de câmbio, distribuidoras de valores e importação e exportação com empresas de fachada. Um dos doleiros presos é Alberto Youssef, de Londrina, que teve também o hotel Blue Tree Towers, cuja edificação está em seu nome, bloqueado pela PF.
Na operação, denominada Lava Jato, a PF prendeu, além dos quatro doleiros, outras 20 pessoas. Foram cumpridos 81 mandados de busca e 15 de condução coercitiva. Durante o dia de ontem, foram apreendidos R$ 5 milhões, além de 25 veículos, todos com valor superior a R$ 100 mil, joias, quadros de pintores renomados e documentos.
Os trabalhos da PF ocorreram em 17 cidades do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Mato Grosso, além de Brasília. A prisão de Alberto Youssef ocorreu em São Luís (MA). Mais de cem contas bancárias utilizadas pelos doleiros para movimentar o dinheiro foram bloqueadas, o que pode revelar mais dinheiro envolvido no caso. A operação não havia terminado até o fechamento da edição. O balanço final deve ser divulgado hoje pela corporação.

Investigação
Segundo o delegado da PF Márcio Anselmo, que coordenou as investigações, os trabalhos começaram com a suspeita sobre um grupo que movimentava dinheiro em mercado de câmbio e outras operações financeiras há 10 anos. "Para a lavagem de dinheiro, eles utilizavam uma tipologia clássica, que era uma rede de lavanderias e postos de combustíveis, para mesclar valores obtidos com a atividade do comércio com o que era obtido no mercado paralelo de câmbio", explicou.
Porém, os desdobramentos levaram a outros três grupos que também fazem operações fraudulentas e criminosas, como extração ilegal e venda de pedras preciosas e desvio de recursos públicos. Os grupos, segundo o delegado, dependiam um do trabalho do outro. Segundo a PF, a movimentação fraudulenta de recursos variava de acordo com o doleiro investigado.
O ex-sócio da operadora Bônus-Banval, Enivaldo Quadrado, condenado ao cumprimento de penas alternativas no processo do mensalão, está entre os presos na Operação Lava Jato.(Com Agência Estado)

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