A 5ª fase da Operação Luz na Infância, deflagrada nesta quarta-feira (4), prendeu 39 suspeitos, pelo País e no exterior, por posse ou distribuição de conteúdo de pedofilia na internet. Desses, dois foram detidos em flagrante no Paraná: em Apucarana (Centro-norte) e Curitiba.

Policiais cumprem mandados de busca e apreensão em Campinas, no interior paulista
Policiais cumprem mandados de busca e apreensão em Campinas, no interior paulista | Foto: Luciano Claudino/Código 19/Estadão Conteúdo

No Estado também foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, em Londrina (1), Apucarana (1) e Curitiba (4). A operação, coordenada pelo Ministério da Justiça, busca identificar pessoas envolvidas em crimes de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes na internet. Desde a primeira fase da força-tarefa, mais de 500 suspeitos foram presos em flagrante.

É um crime grave, muitas pessoas vêm acessando esse conteúdo, só que é importante a gente registrar que a Polícia Civil está preparada para investigar esse tipo de crime. Por mais que esteja acessando pela deep web, é bom que essa pessoa saiba que temos instrumentos para conseguir prender”, afirmou o delegado José Barreto, de Curitiba. Três mandados foram cumpridos pela Polícia Civil e um pela Polícia Federal na capital.

A ação passou por 14 Estados e o Distrito Federal. Também foram cumpridas ordens judiciais em outros seis países: Chile, El Salvador, Equador, Estados Unidos (um preso), Panamá (1) e Paraguai (3). Segundo os números da PF, no total, foram 105 alvos que mobilizaram 656 agentes. Um volume de 312 mil arquivos e 3.8 terabytes de dados analisados.

Embora a operação seja federal, a força-tarefa também teve a colaboração das Polícias Civis do Amazonas (dois presos), Amapá (1), Alagoas (3), Ceará (1), Distrito Federal (4), Maranhão (1), Mato Grosso (1), Mato Grosso do Sul (2), Pará (2), Piauí, Santa Catarina (seis presos), São Paulo (oito presos), Rio de Janeiro (um preso) e Rio Grande do Norte.

Em Curitiba, a Polícia Civil apreendeu um HD externo, um smartphone, dois chips, um CPU e um notebook com registro de acesso e armazenamento de material com pedofilia. Segundo o delegado José Barreto, o homem detido em Curitiba foi encaminhado ao Nucria (Núcleo de Proteção à Criança) para responder por posse de conteúdo de pornografia infantil, crime que afiançável.

A pena para quem armazena conteúdo de pornografia infantil é de 1 a 4 anos de prisão. A perícia ainda analisará se o conteúdo foi compartilhado. Quem compartilha pode pegar de 3 a 6 anos. A produção do conteúdo é crime ainda mais grave e tem pena de 4 a 8 anos de prisão.

Por meio de denúncias e ferramentas de inteligência tem sido possível a identificação dos autores desses crimes, segundo o delegado. Em um segundo momento, no trabalho em campo, com a busca e apreensão, é verificado se o alvo armazena de fato esse tipo de conteúdo. A ideia da polícia é eliminar imagens e vídeos de pedofilia da rede. “Sempre vamos com técnicos, pessoas especializadas para verificar se é criminoso ou não.”

A pedofilia é uma parafilia (distúrbio sexual ou psíquico), não há um perfil certo. Já prendemos desde jovens, pessoas idosas, até mulher já foi presa na primeira fase da operação”, contou Barreto. “A pessoa sente libido por uma criança ou adolescente e quando ela está em casa, com seu computador, sente-se protegida, uma falsa percepção de segurança, em que ela acha que ninguém nunca vai chegar até aquela situação”, explicou.

HISTÓRICO

Na primeira fase da operação, deflagrada em outubro de 2017, foram cumpridos 157 mandados de busca e apreensão de computadores e arquivos digitais e 108 pessoas foram presas. Em maio de 2018, 251 suspeitos foram detidos e 579 mandados cumpridos na segunda fase. Em novembro do ano passado, a operação foi executada no Brasil e na Argentina, resultando em 46 presos e 110 mandados de busca e apreensão cumpridos. Na quarta fase, em março deste ano, a ação feita em todo o País prendeu 141 suspeitos e cumpriu 266 mandados.

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