Operação conta com 50 "cortadores de maconha"
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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Angela Lacerda 
Salgueiro, PE, 29 (AE) - Sem emprego, sem terra e sem perspectiva de renda, trabalhadores rurais encontram nas operações de combate ao plantio e tráfico de maconha no sertão pernambucano e na Bahia um emprego temporário. Eles ganham R$ 10 00 por dia para ajudar a polícia no corte das plantações de maconha. A Operação Mandacaru, que teve início hoje, conta com a ajuda de 50 "cortadores de maconha".
Metade dos cortadores embarcou pela manhã, em helicópteros, da cidade de Orocó, a 599 quilômetros do Recife, para as plantações na área. O trabalho de erradicação da erva, dentro das ações da Operação Mandacaru, foi iniciada em Orocó e em Belém do São Francisco, a 480 quilômetros da capital.
Os trabalhadores se queixam do valor da diária, que consideram baixo, e da falta de um lanche patrocinado pela Polícia Federal, mas afirmam não ter opção de renda, tendo que aceitar o que aparece. "A gente tem que se arriscar", afirmou Gilzivan Soares da Silva, 22 anos, dois filhos. José Avelino Alves, 54 anos, não vê risco no trabalho. "Se os traficantes perseguissem a gente por ajudar a Polícia Federal na destruição dos plantios, a gente já estava tudo morto", observou, ao contar que há 14 anos atua nesse serviço.
Soares diz que se ganha mais trabalhando para a PF do que fazendo bico na plantação dos outros. Especialmente nos últimos anos, porque, segundo ele, muita gente perdeu a roça para os índios Truká e o trabalho ficou ainda mais raro.
"A gente já tem prática, corta a erva e depois põe no fogo", contou Moacir Vicente da Silva, 39 anos, que trabalha como cortador de maconha há 10 anos. "A danada é mesmo que gasolina para pegar fogo". Os cortadores não estão muito certos do sucesso da Operação Mandacaru, pois já cortaram muita erva em várias operações e ela não se acabou. O que eles prevêem é o aumento de assaltos na região depois da operação. "Quando a Polícia Federal arrasa as roças de maconha, os traficantes vão assaltar para conseguir dinheiro", diz Moacir Vicente.


