A Polícia Federal deflagrou ontem a ''Operação Campo Verde'' visando combater a importação, transporte e distribuição ilegal de agrotóxicos. Ações foram realizadas no Paraná, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ao todo, foram expedidos 47 mandados de prisão e mais 107 mandados de busca e apreensão. Até o final da tarde, 33 pessoas tinham sido presas: 18 no Paraná, 14 em Goiás e uma no Mato Grosso do Sul.
A quadrilha, segundo a assessoria da PF em Foz do Iguaçu, recebia os carregamentos de agrotóxicos originários da China, armazenava tudo em um depósito em Ciudad del Este, no Paraguai, e introduzia no Brasil pela região da tríplice fronteira - principalmente através do Lago Itaipu. As cargas eram levadas para Goiás e, de lá, eram distribuídas para compradores em Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Muito do material contrabandeado tem venda proíbida no Brasil em razão do alto grau de toxicidade, tanto ao meio ambiente quanto à sa© úde humana.
As investigações começaram em novembro de 2005 em Jataí (GO) e em março de 2006, em Foz do Iguaçu. Desde junho do ano passado, a Polícia apreendeu mais de 10 toneladas de agrotóxicos que teriam sido adquiridos pela organização.
Somente em cidades paranaenses, deveriam ser cumpridos 26 mandados de prisão e mais 55 mandados de busca e apreensão. Ordens foram cumpridas em Foz, Curitiba, Londrina, Maringá, Campo Mourão, Santa Terezinha do Itaipu, entre outras cidades. Na região de Londrina, a PF realizou a prisão de um suspeito em Assaí. Segundo o delegado Kandy Takahashi, ele fornecia telefones celulares clonados para a quadrilha. Na casa do rapaz, foram apreendidos 20 aparelhos e mais de 50 chips.
A PF destacou que a principal célula criminosa estava baseada em Foz e compunha uma ''família do crime''. Pai, filhos, sobrinhos e parentes estariam agindo há mais de uma década no contrabando de agrotóxicos. A maioria deles já havia sido preso. De acordo com a PF, policiais civis e militares também participariam do contrabando de agrotóxicos.
Os suspeitos presos deverão ser indiciados por formação de quadrilha, importação ilegal de agrotóxicos, produção e transporte de agrotóxico sem cumprimento das exigências legais, contrabando e sonegação fiscal, uso ilegal de sistema de radiocomunicação, corrupção passiva e ativa, estelionato, entre outros crimes.

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