Operação com o Marka não foi comunicada ao CMN, diz Fraga
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Adriana Fernandes e Gustavo Freire 
Brasília, 15 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, afirmou que a decisão do BC de vender dólares ao banco Marka (a preços mais baixos do que os de mercado) e ao banco FonteCindam não foi comunicada ao Conselho Monetário Nacional (CMN), nem mesmo depois da operação. Em resposta a uma pergunta do senador Roberto Requião (PMDB-PR), Fraga disse que só em casos como o do Marka é que o CMN fica sabendo, "pela imprensa", da venda de dólares. O presidente do BC disse que, segundo informação do Departamento Jurídico do Banco Central, não há necessidade de comunicação prévia iou posterior ao CMN sobre esse tipo de operação.
Armínio Fraga teve que enfrentar duros questionamentos do senador Roberto Requião (PMDB-PR), que, com ironia, fez uma série de perguntas em tom provocativo. Requião fez questão de que o presidente do BC respondesse uma a uma cada pergunta, em vez de respondê-las em bloco.
O senador afirmou que a operação do BC de venda de dólares aos bancos Marka e Fonte Cindam foi "uma pilantragem" porque "não havia risco sistêmico nenhum" que justificasse o socorro às duas instituições. Requião insistiu com Fraga para que explicasse o que significava, para o presidente do Banco Central
"risco sistêmico". Fraga respondeu que o conceito de que o BC se valeu para tomar a decisão em relação ao Marka e ao FonteCindam foi o de que credibilidade de um grupo grande de instituiçõe s financeiras poderia ser ameaçada a partir da percepção de que havia um problema no sistema. E naquele momento
segundo Fraga, havia o temor de que se repetisse no Brasil o que ocorrera em alguns países da ásia, onde houve quebra de bancos.
Valendo-se de expressões fortes e irônicas, o senador Requião
diante da resposta de Fraga, disse que, se um pequeno banco estava "assaltando o mercado", o BC então fez uma uma intervenção "para evitar o assalto" e dar a esse banco o que ele estava pretendendo com o assalto. Requião disse que essa afirmação não era uma pergunta e sim uma "interpretação" dos fatos. O senador quis saber também por que o BC aceita riscos inaceitáveis", como no caso do banco Marka, que chegou a estar alavancado 20 vezes o valor de seu capital. O presidente do BC reconheceu que responder a essa pergunta exigia uma "autocrítica" do Banco Central, na medida em que não existem regras que impeçam esse tipo de alavancagem, e voltou a afirmar que vai trabalhar para corrigir esse problema.


