Operação com Bolívia seria definida em 22 de maio
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Mônica Gugliano 
São Paulo, 13 (AE) - A operação conjunta entre Brasil e Bolívia de combate ao narcotráfico, que provocou a demissão do ministro da Justiça, José Carlos Dias, e do secretário nacional Antidrogas, Walter Maierovitch, ainda não estava detalhada e seria acertada em 22 de maio, em Brasília. A ata confidencial da reunião entre Maierovitch e o vice-ministro da Defesa Social da Bolívia, Guillermo Canedo, estabelece a necessidade de incrementar as ações de combate ao tráfico de drogas entre os dois países e, segundo o ex-secretário, demonstra que não teria sido ele o responsável pelo anúncio antecipado da operação. "Não falei sobre operação policial que, se existente, não me foi comunicada", afirmou Maierovitch.
Na ata, aparece somente a decisão de aumentar as operações conjuntas nas cidades de Puerto Suárez, San Matías y Guayaramerín, do lado boliviano, e Corumbá (MT), Cáceres (MS) e Guajaramerin (RO) no Brasil. De acordo com Maierovitch, nenhum detalhe tinha sido acertado. O secretário faz a mesma afirmação na carta de demissão que entregou ontem (12) ao general Alberto Cardoso, secretário de Segurança Institucional. "Por derradeiro
gostaria que ficasse esclarecido não ter a secretaria recebido nenhuma comunicação, quer do Ministério da Justiça, quer Polícia Federal (PF), acerca de operação programada para a fronteira Brasil-Bolívia", diz a carta de Maierovitch.
De fato, nas quatro páginas da ata, as conclusões do encontro entre Maierovith e Canedo resumem-se a estratégias amplas. Entre elas, por exemplo, a necessidade de promover o intercâmbio de técnicos para implementar programas de cultivos alternativos. Também aparece a intenção de estabelecer uma coordenação conjunta que permita um controle maior dos vôos clandestinos e a troca de informações sobre produtos não-controlados usados no refino de cocaína - cimento, óleo diesel, gasolina e querosene. Outra decisão foi a de trocar experiências sobre programas de prevenção e reabilitação. "Eu jamais poderia vazar informação sobre algo desconhecido", disse Maierovitch.
Mas a operação, que seria chamada de Camacuã, foi detalhada pelo jornal "O Globo" de segunda-feira (10). A reportagem afirma que Maierovitch informou a realização da operação, cuja data ainda seria decidida, e informa as cidades onde aconteceria e os procedimentos policiais. Maierovitch disse também ao jornal que seriam interditadas rotas por onde passam carregamentos de cocaína. A operação contaria com a colaboração das Forças Armadas dos dois países.
O anúncio irritou o ex-ministro da Justiça, que criticou Maierovitch publicamente e foi demitido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o ex-ministro, era inadmissível revelar detalhes de uma operação sigilosa. No mesmo dia em que deixou o cargo, Dias entregou a Fernando Henrique um pacote com 250 páginas em que descreve a operação. Somente a PF tinha gasto R$ 700 mil nos preparativos para a operação, como deslocamento de pessoal e equipamentos para as regiões na fronteira Norte e Centro-Oeste.


