Ibiporã - Policiais civis, militares, agentes de cadeia pública, integrantes do Batalhão de Choque de Londrina, do Serviço de Operações Especiais (SOE) e do Esquadrão Antibomba, com sede em Curitiba, participaram de operação realizada ontem na Delegacia de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), após uma tentativa de fuga durante o fim de semana. A rua de acesso ao local foi isolada por volta das 7 horas.
Conforme o delegado Roberto Fernandes de Lima, o grupo estava em busca de uma segunda dinamite que seria utilizada pelos presos. Na madrugada do último sábado, os detentos tentaram explodir um artefato dentro da carceragem. "A dinamite não detonou da forma adequada e não teve estragos. Eles tinham colocado o material em um tubo de respiro", contou Lima. Com a falha na explosão, nenhum preso conseguiu fugir.
Ontem, os 142 detentos foram levados para o pátio da delegacia enquanto cães farejadores eram utilizados nas buscas por uma segunda dinamite. Os policiais apreenderam 65 celulares, mais de 40 carregadores, 340 gramas de maconha, serras e brocas, mas nenhum artefato explosivo havia sido encontrado até o final da tarde. Do total de presos, 131 homens (sendo 65 condenados) ocupam o espaço que deveria abrigar 24 presos provisórios. Onze mulheres são detidas em uma cela separada. Por conta da falta de espaço, os presos ocupam também os corredores do setor de carceragem. Colchões, roupas e objetos pessoais seriam revistados ainda pela polícia.
O delegado apura a entrada da primeira dinamite nas celas. "Trabalhamos com três hipóteses: pode ser que o artefato tenha sido jogado para dentro do pátio ou que o material tenha entrado escondido dentro de um outro objeto trazido por parentes dos presos ou que tenha sido colocado dentro do corpo de uma das mulheres que fizeram visita", destacou.
No final de fevereiro, rapazes tentaram explodir um caixa eletrônico na região central de Ibiporã. No entanto, a dinamite falhou. Na ocasião, policiais do Esquadrão Antibomba estiveram na cidade e levaram o artefato para Curitiba. "O esquadrão vai verificar o lote para ver se é o mesmo do material utilizado naquele dia", comentou Lima. Segundo o delegado, a carceragem de Ibiporã está interditada parcialmente desde o ano passado. O número de presos foi limitado em 65, porém a medida não foi cumprida. "Já foi dada ordem de transferência para os presos, mas o Estado não cumpre. Poderíamos estar investigando, que é a verdadeira função da Polícia Civil, mas não conseguimos cumprir o nosso papel a contento por culpa do próprio Estado", criticou o delegado.
Os presos retornaram às celas no final da tarde. Do lado de fora da delegacia, familiares dos detentos temiam agressões e cobravam informações. "Precisamos de respostas. O delegado só apareceu durante a manhã, mostrou uma foto e disse que estava tudo bem", reclamou Gecilene Oliveira. As visitas foram suspensas provisoriamente.

FUGAS
Com carceragens superlotadas, presos conseguiram fugir nesta semana em São José dos Pinhais e Guarapuava. A fuga na Delegacia de São José dos Pinhais ocorreu por volta das 5 horas da madrugada de ontem. Segundo informações da assessoria da Polícia Civil, os presos abriram um buraco no teto da carceragem. Dos 108 detentos, 25 fugiram. Ninguém havia sido recapturado até o final da tarde.
Em Guarapuava, 11 presos fugiram da 14ª Subdivisão Policial na madrugada de terça-feira por meio de um túnel aberto entre a carceragem e a rua. Nos últimos dias, 38 detentos foram transferidos para outras unidades.
Conforme a assessoria do Departamento de Execução Penal (Depen), o órgão tenta atender os pedidos feitos por meio dos comitês de transferência de presos, coordenados por representantes das Varas de Execuções Penais. A expectativa é que novas vagas sejam abertas até o final deste ano com a conclusão de obras no sistema carcerário.

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