Operação apreende 32 contêineres de mogno
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domingo, 09 de dezembro de 2001
Katia Michelle<Br>De Curitiba 
Uma operação conjunta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Receita Federal e Polícia Federal apreendeu ontem, em Paranaguá (Litoral do Estado), cerca de 1,2 mil metros cúbicos (m3) de mogno que seriam exportados ilegalmente. A carga, avaliada em R$ 3 milhões, pertence à madeireira Pau-Brasil, do Pará, e estava armazenada em 32 contêineres estocados no Depósito Tropical. Essa é a maior apreensão de mogno já realizada no Estado.
O Ibama chegou ao local por meio de uma denúncia anômima e ainda procura 40 contêineres de mogno que também seriam exportados ilegalmente. A apreensão aconteceu duas semanas depois que técnicos do Ibama do Pará estiveram no Porto de Paranaguá para tentar conter a exportação da madeira, que está em extinção. A denúncia recebida pelos órgãos dava conta de que pelo menos 70 contêineres carregados de mogno estariam escondidos em depósitos de Paranaguá.
Operações envolvendo mogno estão proibidas no País desde o dia 19 de outubro, quando o Ibama editou a Instrução Normativa 17/01, que suspendeu por tempo indeterminado o corte, transporte e o comércio de mogno. ''Isso agrava a situação da madeireira Pau-Brasil'', salienta o chefe de fiscalização do Ibama no Paraná, Paulo Roberto Mattoso. A madeira veio por terra, do Pará, e iria ser contrabandeada para a África.
Os donos da empresa Pau-Brasil não foram localizados pela reportagem. O responsável pelo depósito Tropical, Jair Luiz Dias do Nascimento, prestou depoimento na Polícia Federal. Segundo informações do Ibama, ele alegou que a carga pertence à empresa citada e que o depósito apenas estocava o material. O depósito foi autuado por armazenar mogno sem registro de procedência. A multa é de R$ 500,00 por metro cúbico de madeira estocada e pode chegar a R$ 600 mil.
A madeireira Pau-Brasil, por sua vez, vai responder por falsificação de documento, já que o registro de transporte (TPF) do mogno é falso, por exportação ilegal e crime ambiental, além de poder perder o registro de exportadora. ''O mogno estava armazenado e seria exportado sem especificação, como se fosse madeira comum'', explica o chefe de fiscalização do Ibama. De acordo com ele, que está há 22 anos no Ibama, é a primeira vez que o órgão apreende uma carga de mogno com esse volume no Estado.
Em todo o País, desde que o Ibama intensificou a operação para conter a extração e exportação ilegal da madeira, em junho deste ano, já foram apreendidos cerca de 25 mil m3 de mogno, avaliados em R$ 38 milhões. O mogno é uma madeira nobre, em extinção, utilizado principalmente na construção de navios, móveis de luxo e caixões funerários e tem alto valor no mercado. O metro cúbico do mogno beneficiado chega a custar mais de US$ 1,6 mil.


