Rio, 23 (AE) - Pelo menos 1.500 agentes do Serviço de Inteligência da Polícia Federal e do Comando Militar do Leste (CML) realizam uma grande operação antiterror para proteger de possíveis atentados os 47 chefes de estado que participarão, segunda e terça-feira, no Rio, da Cimeira América Latina e Caribe-União Européia. A maior preocupação são com o presidente de Cuba, Fidel Castro, e os primeiros-ministros da Itália, Massimo DAlema, e da Espanha, Jose María Aznar, países onde costumam ser registrados atos terroristas.
Os agentes temem ações de extremistas que atuam não só na Europa, como o ETA (Patria Basca e Libertade), mas também na América Latina, a exemplo do Sendero Luninoso e o MRTA (Movimento Revolucionário Dupac Amaru), no Peru, e o FARC (Forças Armadas Revolucionárias) na Colômbia. Durante as operações os federais prenderam um americano que tentou desembarcar no Aeroporto Internacional Rio com documentos falsos de outro país. Ele foi relacionado na lista de suspeitos, principalmente pela sua procedência, não revelada pelo superintendente da PF no Estado, Pedro Berwanger.
"A ação terrorista é imprevisível e precisamos estar preparados", disse Berwanger. Ele deu a entender que o americano, entregue às autoridades do seu país, poderia estar a serviço de um grupo terrorista. "Não posso falar mais nada sobre isso." A cada chefe de estado, os agentes têm uma conceituação: "alto risco", "médio risco" e "pequeno risco". O alto risco refere-se não só ao país onde o terrorismo é mais atuante mas a atividades que o chefe de estado terá extra-reunião, como a presidente da Irlanda, Mary McAleese, que manifestou desejo de assistir domingo, no Maracanã, ao jogo entre Botafogo e Juventude, pela final da Copa do Brasil.
Na operação que começou há três meses foi feito, com a ajuda da Interpol, um minucioso levantamento dos grupos terroristas que atuam em todo o mundo, sobretudo os fundamentalistas muçulmanos e palestinos como o Hossama Bin Laden, responsável pelos atentados a bomba em embaixadas americanas. Vítima de vários atentados, Fidel Castro terá atenção especial, mas não estará entregue apenas à segurança brasileira. Embora a PF prefira não revelar, sabe-se que o presidente cubano - além dos seus eficientes agentes do serviço secreto - poderá trazer do seu país vários equipamentos antiterror e, apesar de não estar confirmado, se deslocaria pelo Rio em um carro blindado. Sua segurança teme um ataque da CIA.
Moradores dos prédios próximos ao Museu de Arte Moderna (MAM), onde será realizada a reunião dos chefes de estado, foram orientados a não receberem, no período da Cimeira, visita de parentes e amigos de fora do Estado. Nos hotéis, princicipalmente no Glória, Othon Palace, Copacabana Palace, Meridiem e em outros nos quais os chefes de estado e suas delegações estarão hospedadas, tudo foi devidamente checado, segundo o superintendente Pedro Berwanger. Levantamento foi feito dos hóspedes e empregados. Até a comida será experimentada antes de ser consumida pelos chefes de estado.
Por medida de segurança, a Linha Vermelha, via expressa que corta várias favelas e liga o Aeroporto Internacional à zona sul
foi tirada do percurso dos chefes de estado, que passarão pela Avenida Brasil, trajeto mais longo, porém mais seguro, de acordo com os agentes. No Aterro do Flamengo, as pistas receberam numeração de 1 a 4, uma estratégia de segurança. Segundo o superintendente da PF, no deslocamento de cada uma da autoridade será definida qual a pista que o carro passará. Isso, na sua avaliação, dificulta a ação de terroristas.
Todos os possíveis pontos - prédios etc - nos quais poderá se colocar um franco atirador serão ocupados pelos agentes. As credenciais dos participantes do encontro e dos jornalistas que cobrirão o evento serão submetidas a uma leitura dos computadores, para checar autenticidade. "É uma tecnologia moderna que estamos empregando", explicou o delegado Valduelo Caetano, da Polícia Federal de Brasília, um dos coordenadores da segurança.
Além dos agentes antiterror, outros policiais e soldados das Forças Armadas estarão envolvidos na operação de segurança, espalhados em pontos diferentes. Helicópteros estarão sobrevoando os trajetos por onde passarão as autoridades "Temos experiência porque já fizemos encontros importantes como a Rio-92", lembrou Berewanger. Nos portos, aeroportos e fronteiras foi reforçado o controle de entrada. "Não podemos subestimar a ação dos terroristas, mas estamos preparados para impedi-los", disse Berwanger.

mockup