Opep não consegue acordo no primeiro dia de reunião
Viena, 27 (AE-DOW JONES) - A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não conseguiu nesta segunda-feira (27), no primeiro dia de reuniões em Viena, na áustria, chegar a um acordo sobre o novo teto de produção que deverá adotar a partir de 1º de abril.
Sem um consenso, os delegados dos 11 países membros da organização, que estão sob intensa pressão dos Estados Unidos e da União Européia (UE) para aumentar a produção e reduzir as cotações do óleo bruto, voltam a reunir-se amanhã.
Apesar do fracasso de um entendimento na primeira rodada oficial de negociações, o avanço foi grande. Os delegados chegaram a Viena trazendo, de pré-negociações, a discussão de um aumento de 1 milhão a 2 milhões de barris por dia na oferta da organização.
Fontes das delegações informaram que o ponto de equilíbrio entre o que desejam os consumidores e o que interessa à Opep conceder está a marca de 1,7 milhão de barris por dia.
Além disso, caberia a países produtores que não integram a Opep, mas atuaram afinados com o cartel na política de contenção da oferta em vigor desde março de 1999, elevar sua produção entre 300 mil a 440 mil barris por dia. É o caso de México, Omã e a Rússia, que acompanham a reunião em Viena.
As negociações provocaram a queda das cotações do petróleo nas bolsas internacionais de commodities hoje. O barril do petróleo WTI, negociado na bolsa de Nova York, para entrega em maio, foi negociado a US$ 27,79, com queda de US$ 0,23. Na Bolsa de Londres, o contrato de maio do petróleo Brent foi cotado a US$ 25,68 o barril, também com queda de US$ 0,23.
O principal defensor do aumento do teto de produção da Opep para 1,7 milhão de barris/dia foi o Kuwait, um dos maiores produtores do cartel e aliado incondicional do governo norte-americano.
O chefe da delegação do Kuwait, xeque Saud Nasser Al-Sabah, havia ameaçado, no domingo, desrespeitar a imposição de cotas de produção pela Opep e "preservar os interesses do país", se acaso não houvesse um consenso que resultasse em um aumento do teto de produção.
Hoje, esse discurso foi engrossado pela Arábia Saudita, o maior produtor do cartel, que conclamou os países da Opep a concordarem com um "preço razoável" para a commodity. Os sauditas, que comandaram os cortes que resultaram na recente elevação dos preços, ameaçaram também em elevar unilateralmente sua produção se o aumento não for consensual.
Com o apoio de produtores independentes, como o México e a Noruega, a Opep conseguiu uma disciplina incomum ao cortar a sua produção, o que resultou em preços recordes no início de março. Em Nova York, as cotações do WTI superaram os US$ 34 o barril, 15 meses depois de ter batido no piso de US$ 10,35.
Se o tom duro dos discursos dos dois grandes exportadores removeu a resistência ao aumento da produção de países como a Argélia, não foi suficiente, entretanto, para obter apoio ao incremento de 1,7 milhão de barris por dia no teto de produção.
O ministro argelino do Petróleo, Chakib Khalil, que havia se comprometido com os sauditas a apoiar o aumento da produção e abandonar a defesa da manutenção dos níveis atuais, manifestou-se hoje favorável a um incremento inferior em pelo menos 500 mil barris/dia aos 1,7 milhão de barris/dia.
Antes mesmo da reunião formal, o Irã, o segundo maior produtor de petróleo da organização, havia anunciado que não apoiaria a um incremento nesse nível para o segundo trimestre de 2000.
A delegação iraniana justifica que a oferta seria muito grande para esse período, caracterizado por uma queda sazonal do consumo.
Há ainda, entre os resistentes, a Líbia, rival dos Estados Unidos que se manifesta favorável à decisão por um pequeno volume de excedentes.
Se o aumento da produção for consolidado na faixa de 1,7 milhão de barris/dia, configurando-se um incremento de 7,4% ao teto vigente, implicará, para refinarias como a Exxon Mobil Corp., uma provável continuidade dos altos preços do produto, em torno de US$ 25,00 por barril em Londres.
"O aumento bastará para segurar os preços durante os próximos três meses", disse Chan Hean Kheong, negociante de petróleo na Caltex Corp., joint venture entre a Texaco Inc. e a Chevron Corp.
"A queda maior dos preços nos próximos meses vai depender da capacidade da Opep de manter ou não o corte de produção."
O aumento em discussão fica muito aquém dos 2,3 milhões de barris diários que a Agência Internacional de Energia informa ser necessários para restaurar os estoques mundiais, que caíram para o mais baixo nível dos últimos dez anos.





