Opep acerta corte na produção e abala mercados
Caracas, 22 (AE-REUTERS) - Os esforços da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para reduzir a produção e elevar os preços foram reforçados nesta segunda-feira (22) pela decisão da Rússia, que não pertence ao grupo, de cortar suas vendas externas do produto em 100 mil barris por dia.
Em reunião realizada hoje em Viena, os países que integram o cartel produtor concordaram em diminuir a produção em mais de 2 milhões de barris, informou o ministro de Energia da Venezuela, Ali Rodriguez.
A decisão fez com que as cotações ficassem um pouco mais firmes hoje, como é o caso do petróleo do tipo Brent, cujo preço já havia subido para US$ 13,48 o barril, alta de cerca de três centavos de dólar, já na quinta-feira, antes do encontro. O acordo feito na Holanda entre cinco países membros do cartel e México, Noruega e Omã no dia 12 de março vigorará a partir de 1º de abril.
As nações que não pertencem à Opep aceitaram reduzir sua produção em 286 mil barris por dia, excluídos os 100 mil barris diários a serem cortados pela Rússia. O cartel controla 55% da produção mundial, mas nos últimos meses perdeu cerca de US$ 50 bilhões, o correspondente a 30% das receitas, por causa da sistemática queda das cotações do petróleo no mercado internacional.
Os novos cortes anunciados hoje têm o objetivo de elevar as cotações do produto em geral, fazendo com o que petróleo de tipo Brent, por exemplo, passe a custar entre US$ 17,00 e US$ 19,00 o barril. Conforme estatísticas do Centro para Estudos Globais sobre Energia, uma organização privada, as cotações do Brent no mercado à vista poderão atingir US$ 19,00 o barril no quarto trimestre, caso os cortes anunciados sejam efetivamente cumpridos na sua totalidade.
Cortes - O acordo prevê a redução da oferta de 24,692 milhões de barris por dia, verificada em julho, para 22,976 milhões de barris, pois estão excluídas as vendas externas feitas pelo Iraque, ainda dependentes de autorização da Organização das Nações Unidas (ONU). O ministro de Energia do Iraque, Amir Mohammad Rasheed, informou a imprensa em Viena que as exportações de petróleo de seu país poderão aumentar um pouco este ano, mas não haverá um salto na produção como o registrado em 1998, que chegou compensar os esforços para diminuir a oferta global.
Na prática, o pacto global estabelece que os países da Opep deixarão de fornecer mais de 4 milhões de barris por dia ao mercado mundial em 12 meses, o que representa uma redução de 16% na oferta do produto. De acordo com os especialistas, os preços do óleo, apesar da alta mais recente, ainda estão nos níves mais baixos em 22 anos.
Mercados - Embora a Opep tenha um histórico de decisões não cumpridas de redução na produção de petróleo, a mera possibilidade de uma queda tão expressiva na oferta mundial do produto afetou os mercados como um todo. O principal afetado foi o iene, pelo temor dos investidores de que a alta nos preços do produto afete a esperada recuperação econômica do Japão, fortemente dependente das importações e sem reservas de petróleo.
O dólar subiu em relação ao iene. No fim da tarde em Nova York
a moeda era negociada a 118,16 ienes ante os 117,28 do fim da sexta-feira, sua primeira alta em três dias úteis. O dólar quase não oscilou em relação ao euro, subindo levemente para US$ 1 0908 ante o US$ 1,0893 da véspera.
Segundo analistas, uma súbita redução na oferta global de petróleo e a consequente elevação dos preços poderão fazer o Japão mergulhar em sua mais profunda recessão desde a 2ª Guerra Mundial. O país é o segundo maior importador de petróleo, perdendo apenas para os Estados Unidos, segundo o Departamento de Energia dos EUA.
O efeito da alta dos preços do petróleo - que na semana passada avançaram ao nível mais alto em cinco meses - sobre o iene foi reduzido por causa da aproximação do fim do ano fiscal japonês, no dia 31 de março. O forte envio de lucro das companhias japonesas no exterior para as matrizes aumentou a demanda pelo iene e sustentou as cotações da moeda. Hoje, o mercado japonês esteve fechado por causa de um feriado nacional.
Segundo economistas, há uma longa correlação negativa entre as cotações do petróleo e do iene. Se o petróleo superar US$ 16,00 por barril, o iene poderia cair mais em relação ao dólar, voltando a superar 120 ienes por dólar.





