O biólogo Angelo Agostinho, coordenador do respeitado Núcleo de Pesquisas em Ecologia de Água Doce, da Universidade de Maringá, disse na terça-feira que escadas nas barragens de Canoas não resolvem. E mais, com as barragens, estão condenados os dourados e pintados remanescentes naquela região, compreendida entre Salto Grande e Capivara.
Ele diz que os peixes desovariam ao pé da Barragem de Salto Grande e os ovos, descendo o rio, seriam presa fácil no remanso de Canoas. A opção de construção das barragens já eliminou a possibilidade de sobrevivência dos peixes.
Angelo conta que há três anos viu cardumes de pintados e dourados em Salto Grande. São peixes remanescentes, presos entre Capivara e Salto Grande. Agora, com Canoas, desaparecerão, pois o espaço vital para a existência de peixes migratórios acabou ali.
A opção da sociedade, na verdade, é construir ou não barragens segundo ele. E pagar o preço pelo impacto da construção, se essa for a opção. E mais: o biólogo não acredita no trabalho de repovoamento como o desenvolvido pela Cesp, com exceção da corvina, que tem proliferado na Bacia do Rio Paraná.
A opção tem sido, segundo Angelo Agostinho, a proteção em outras áreas. Ele cita a área no Rio Paraná, acima de Guaíra, hoje área de proteção ambiental.
Os peixes sobem, migram pelo Rio Ivinhema no Mato Grosso do Sul, chegam a seus afluentes Dourado e Brilhante para desovar. A piracema acontece na cheia e os ovos chegam aos seus ambientes ideais nas várzeas, nas lagoas marginais, e encontram as condições para desenvolvimento e nascimento dos peixes: água na temperatura e luminosidade ideais, livre de predadores. Quando o rio baixa, os peixinhos abandonam os lagos, e seguem o cardume num ato que os pescadores chamam de ‘‘rodada’’. É a viagem de volta ao Lar da Alimentação, no caso, o reservatório de Itaipu. (M.C.G.)

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