Opas vai intermediar compra de remédio para rede pública Agência Estado De Brasília A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) deverá intermediar a compra de remédios para instituições da rede pública tratar os doentes de Aids e malária. Até agora, o chamado Fundo Rotatório da Opas fazia apenas a compra de vacinas para os países da América Latina. Ontem, o diretor da organização, George Alleyne, disse que há negociações com o Ministério da Saúde para ampliar a cooperação. Na CPI dos Medicamentos, Alleyne afirmou que uma das formas de evitar os altos custos e aumentar o acesso ao medicamento é o governo incentivar a entrada de genéricos no mercado. ‘‘O Brasil está entre os dez maiores consumidores de medicamento, com 3,5% do mercado mundial’’, informou o diretor da Opas, explicando que há uma preocupação mundial em reduzir o peso do custo de remédios na saúde. As compras feitas por meio do Fundo Rotatório são em grande escala, o que diminui o preço. Alleyne sugeriu algumas medidas que o Brasil deve adotar para ter uma boa política de genéricos. Para o diretor da Opas, é necessário que o País estabeleça uma base de dados sobre preços internacionais de medicamentos. Também não tem uma referência de preços de insumos no mercado internacional o que tem dificultado o trabalho da CPI dos Medicamentos de investigar mais a fundo suspeitas de superfaturamento na compra internacional de matéria-prima pelos laboratórios. Além disso, o Brasil ainda não estruturou um sistema de informações sobre o uso do medicamento genérico e sobre seu impacto no mercado. Isso se explica pela pouca quantidade de genéricos - 18. Desde a entrada em vigor da Lei dos Genéricos, em agosto do ano passado, apenas 18 medicamentos foram colocados no mercado. Há outros 146 pedidos de registro no Ministério da Saúde. ‘‘Ainda há poucos remédios genéricos no mercado para que tenhamos esse tipo de acompanhamento’’, disse hoje o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Gonzalo Vecina. De acordo com Vecina, o Brasil vem seguindo a orientação da Opas no que se refere a estimular laboratórios para a realização de exames de bioequivalência, pelo qual se comprova a eficácia do genérico diante dos remédios de marca. ‘‘Já temos 15 laboratórios preparados’’, afirmou. O Brasil também já possui uma metodologia de farmacoterapia. CPI Ontem a CPI recebeu o relatório da diligência feita em Curitiba (PR), onde deputados sugerem a quebra de sigilos de pessoas, laboratórios e distribuidoras, supostamente envolvidas em sonegação fiscal. Foi pedida ainda a quebra do sigilo telefônico e fiscal do dono de farmácias Anderson Donizeti de Lima, ouvido pela CPI, acusado de receptação de medicamentos roubados. Os requerimentos de quebra de sigilos ainda serão votados em plenário.

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