Curitiba - A equipe do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) deteve ontem pela manhã 11 supostos integrantes da quadrilha de skinheads Frente Anti-Caos, que teria espalhado adesivos com mensagens contra negros e homossexuais em Curitiba. Dos detidos, quatro são adolescentes.
Segundo o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, as investigações tiveram início em setembro, depois que a imprensa noticiou que os adesivos haviam sido afixados em vários pontos da Capital. ''O Instituto de Pesquisa de Afrodescendência também nos enviou uma representação, na qual nos relatou que vários casos de racismo em Curitiba estavam sendo investigados separadamente, nos distritos policiais. Decidimos centralizar as investigações no Cope'', explicou Delazari.
A apuração culminou na operação da manhã de ontem, que mobilizou cerca de 40 policiais do Cope e oito oficiais de Justiça. Eles cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão. Entre os detidos, está o casal Eduardo Toniolo Del Segue, de 25 anos, e Edwiges Francis Barroso, de 26. Del Segue foi apontado pela Polícia Civil como líder da quadrilha.
''Os integrantes (da quadrilha) se comunicavam com outros grupos simpatizantes das teorias nazistas pela internet, através da qual recrutavam novos membros, inclusive adolescentes'', explicou Marcus Vinícius Michelotto, delegado-chefe do Cope.
Nas residências dos detidos, foram encontrados diversos materiais refentes ao nazismo: cartazes, CDs, livros, panfletos e outros produtos com suásticas e mensagens contra negros e homossexuais. Além disso, foram apreendidos um martelo, um soco inglês, facas e um folheto cuja capa anunciava um guia sobre confecção de bombas. Entre as fotos apreendidas, algumas mostravam crianças pequenas fazendo a saudação nazista.
De acordo com a Polícia Civil, Del Segue e Edwiges foram reconhecidos como autores de uma agressão contra um homossexual, esfaqueado no Centro de Curitiba no mês passado. Além de responder pelos crimes de racismo e formação de quadrilha, o casal também responderá pelos crimes de tentativa de homicídio, lesão corporal e ameaça. A polícia continua as investigações, para apurar se o grupo foi responsável por outras agressões e localizar outros integrantes.
''Sabemos que há ramificações da quadrilha em outros estados, como São Paulo e Rio Grande do Sul'', afirmou Delazari. ''É necessário demonstrar tolerância zero com a intolerância. É incrível que em Curitiba, no ano de 2005, ainda exista quem defenda a ideologia nazista''.

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