Brasília, 28 (AE) - Onze Estados - RJ, ES, MS, SE, AL, AP, AM, PA, RO, RR, AC - e o Distrito Federal não forneceram ao governo federal informações confiáveis sobre as medidas adotadas para evitar os efeitos do bug do ano 2000. Nesses Estados, o Centro de Coordenação Geral (CCG), montado no Ministério da Defesa, em Brasília, só tem controle sobre os serviços públicos de âmbito federal, como telecomunicações, energia elétrica, transportes aéreos, saúde e serviço bancário.
"O fato de não termos informações, não significa que estas unidades da federação estejam despreparadas para a virada do ano", explicou o secretário-adjunto do Plano de Contingência do governo federal, Marcos Osório Almeida. "Mas não temos informações confiáveis que possam dizer que o Estado do Rio fez um programa excelente ou não", concluiu.
Independentemente das ações promovidas pelo governo fluminense contra o bug, o presidente Fernando Henrique Cardoso terá um esquema especial para passar as primeiras horas do próximo ano no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. Será montada, na área do Forte, uma central própria de telecomunicações, com geradores de energia, sistema de telefonia via satélite, e por alta frequência (HF) e até radioamadores.
"O presidente terá a possibilidade de conversar imediatamente com um comandante de um pelotão de fronteira ou com um prefeito de uma cidade do interior", explicou o responsável pelo CCG, coronel Oliveira Ramos. Segundo ele, fazer tais ligações será necessário caso ocorram situações graves que necessitem de intervenção de tropas federais, como desordens de rua motivadas por blecautes.
O ministro da Defesa, Élcio álvares, que passará a virada do ano em Vila Velha, no Espírito Santo, também terá à sua disposição um sistema especial de comunicações, conectado diretamente ao CCG. "Vamos informá-los continuamente os acontecimentos", disse Ramos.
O governo não acredita que a falta de informações sobre as medidas tomadas para a virada do ano 2000 possa colocar em risco o programa nacional preparado desde o ano passado. "Os grandes problemas que podem ocorrer aos cidadãos brasileiros estão sob nosso controle, na área federal", garantiu o coordenador de Comunicação Social para ações do Plano de Contingências, coronel Ronaldo do Vale Brito.
Os setores de infra-estrutura, por exemplo, serão coordenados pelas agências nacionais de telecomunicações, petróleo e energia elétrica. "O que sobrou para os Estados são coisas localizadas", explicou Brito, referindo-se ao setor de saneamento, hospitais, departamento de trânsito e policiamento, entre outros. Ele garantiu que, mesmo não tendo todas as informações, haverá interação entre os governos federal e estaduais em caso de situações problemáticas.

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