Curitiba, 09 (AE) - O número de pessoas suspeitas de terem contraído cólera em Paranaguá e manifestado a doença em Curitiba subiu de 30 para 41. Porém, até o fim da tarde, a Secretaria Municipal de Saúde já tinha descartado 11 casos. O resultado dos outros exames fica pronto no início da próxima semana. "A situação está sob controle", afirmou o secretário da Saúde Luciano Ducci. "Não há nenhum caso confirmado e tudo foi feito para evitar que o surto chegue e se instale em Curitiba".
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a velocidade no registro de casos confirmados em Paranaguá, no litoral, tem sido mais lenta. Na quarta-feira, foram 50 novos casos; ontem, apareceram mais nove e, hoje, foram confirmados seis casos, elevando o número total para 307. Dez doentes continuam internados na Santa Casa e no Hospital Infantil de Paranaguá. Operação - O governo do Paraná realiza amanhã e domingo, em Paranaguá, a maior operação sanitária de combate a uma doença já realizada no Estado. Cerca de mil pessoas devem sair às ruas para visitar os bairros e ilhas do município, batendo em todas as 36 mil casas para orientar as pessoas sobre a prevenção e controle da doença. Com o arrastão, a Secretaria de Saúde pretende ter um perfil completo da situação em que vive a população.
O governador Jaime Lerner esteve hoje em Paranaguá para ver como estava a preparação para o mutirão. Ele espera que em uma semana o surto esteja controlado. "Todas as medidas necessárias para vencer a cólera foram adotadas e as pessoas estão conscientizadas sobre os procedimentos básicos de higiene e saúde que devem seguir para não serem atingidas pela doença", disse Lerner. "O fim desse surto de cólera será a melhor notícia".
Além de fichas com questionário e folhetos explicativos, também serão entregues frascos com hipoclorito de sódio, para ser utilizado na água e soro para reidratação. Todos os dados sobre as condições sanitárias da moradia e as doenças já contraídas pelos moradores serão anotados. Voluntários inscreveram-se durante a semana e receberam orientação da coordenadora do Centro Nacional de Epidemiologia do Ministério da Saúde, Rejane Souza Alves, para ajudar no mutirão.
O objetivo é manter o surto restrito aos locais onde o vibrião foi observado em Paranaguá, principalmente às margens dos rios Emboguaçu e Anhanha. Um caso que tinha sido anunciado em Castro, a mais de 200 quilômetros de Paranaguá, foi descartado por uma junta médica. A análise clínica do paciente, que almoçou no dia anterior à manifestação da doença em Paranaguá, mostrou tratar-se de gastroenterite. A Secretaria Estadual de Saúde preferiu manter nas estatísticas como um caso de cólera, sob o argumento de que não foi feito nenhum exame laboratorial que comprove a não existência da cólera.
Caminhoneiros - A secretaria ainda não conseguiu descobrir a origem do vibrião que tem provocado a cólera em Paranaguá. O município tem recebido durante a safra agrícola aproximadamente 1,5 mil caminhoneiros diariamente. Eles vêm de várias regiões do País e até de países vizinhos, por isso a primeira suspeita recai sobre eles.
Outra hipótese é que o vibrião tenha vindo de outro país
trazido por algum dos tripulantes de navios que chegam ao porto. A terceira hipótese levantada pelos agentes de saúde é que alguém tenha viajado para o nordeste do País, pois muitos moradores das áreas atingidas pelo vibrião têm parentes naquela localidade. Caso seja portador não assintomático, ele não teria os sintomas clássicos, principalmente a diarréia, tornando-se um disseminador oculto do vibrião.

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