Brasília- Os dois hectares ocupados por pés de coca encontrados pelo Exército nas proximidades de Tabatinga (AM) representam pouco em relação à cocaína que passa pelo Brasil, mas sinalizam para a necessidade de se reforçar a fiscalização na região. A avaliação foi feita pelo representante regional do Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crimes (UNODC), Giovanni Quaglia, para quem as autoridades devem ser alertadas: até então, só se tinha notícia de plantações de coca na região para consumo próprio de indígenas.
''É uma chamada de atenção, uma novidade, mesmo que o cultivo seja em quantidade muito limitada. É sempre bom cuidar para que não cresça. O perigo sempre existe. Há áreas da Amazônia na Colômbia, na Bolívia e no Peru onde já se cultiva coca em altitudes baixas, de até 400 metros'', afirmou.
Ele explicou que a coca produzida em regiões altas tem folha pequena e suave, mais usada para mastigação. Na região amazônica, a folha da planta seria muito grossa e dura, servindo exclusivamente à produção de cocaína.
Para dimensionar a representatividade dos pés da planta encontrados em Tabatinga, Quaglia lembrou que cerca de 40 toneladas de cocaína são consumidas por ano no Brasil: Por cada hectare de coca cultivada produzem-se em torno de seis quilos de cocaína. Em se tratando de dois hectares, o máximo que os traficantes poderiam tirar seriam 12 quilos de cocaína.
Além das 40 toneladas para consumo interno, ainda passariam pelo Brasil com destino à Europa, via África, outras 40 toneladas de cocaína, estima a ONU. Quaglia disse considerar humanamente impossível controlar com eficiência uma fronteira tão extensa como a existente entre Brasil, Bolívia, Colômbia e Peru.

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