ONU quer ampliar sanções contra UNITA
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Farhan Haq, da IPS (assinatura obrigatória) 
Nova York (AE-IPS) - A Organização das Nações Unidas (ONU) quer aumentar as sanções contra a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA) devido à violação das restrições contra o comércio de armas e de dimantes com a organização rebelde. Robert Fowler, presidente da Comissão de Sanções do Conselho de Segurança da ONU, quer que observadores vigiem o cumprimento das sanções na áfrica.
Há um ano, o Conselho de Segurança aprovou a proibição de compra e venda de diamantes com os rebeldes da UNITA. Fowler apresentou um informe ao Conselho nesta semana onde indica que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, estudará nos próximos três meses uma forma de enviar observadores civis à áfrica para investigar as denúncias de violações das sanções.
"Não falamos de grandes batalhões. Os observadores poderiam se menos de 100", afirmou Fowler.
O presidente da Comissão de Sanções da ONU disse que Angola acusou a Zâmbia de ter ajudado os rebeldes da UNITA a comprar armas e petróleo em troca de diamantes.
Várias resoluções do Conselho de Segurança proíbem a venda de armas e petróleo à UNITA e também o comércio de diamantes com os rebeldes - a quem se atribui a maior parte da violência em Angola.
Mas o governo angolano assegura que os rebeldes continuam financiando a guerra mediante a venda de diamantes.
O informe de Fowler ressalta que a UNITA arrecadou US$ 200 milhões com a venda de diamantes em 1998 e até US$ 4 bilhões desde 1992. Os combates em Angola já provocaram dezenas de milhares de mortos e a violação das sanções da ONU é considerado um grande problema para a áfrica austral.
As violações causaram uma "crise de solidariedade africana"
disse um ministro a Fowler.
O presidente da Comissão de Sanções da ONU viajou em maio para Angola, Botswana, República Democrática do Congo, Namíbia, áfrica do Sul, Zambia e Zimbabue para tentar enontrar uma maneira de melhorar a aplicação do embargo.
"Os governos da região estão dispostos a melhorar a aplicação das sanções, incluindo as companhias mineradoras de diamantes", assegurou Fowler.
O presidente do conglomerado sul-africano De Beers, que controla a maior parte do comércio de diamantes do mundo, assegurou a Fowler que pretende apoiar as sanções da ONU e garantir que a UNITA não faça comércio no ramo.
Fowler recebeu a mesma resposta de companhias de diamantes de Botswana e Namíbia, onde as vendas de pedras preciosas representam mais de dois terços do PIB.
Porém, as intenções são difíceis de serem aplicadas. Fowler explicou que países como Botswana e Namíbia não tem condições seu espaço aéreo para evitar que aviões estrangeiros o utilizem para atividades ilegais.
Uma das recomendações de Fowler é que a ONU ajude os países mediante a vigilância aérea.
Fowler, que visitará em julho o Alto Conselho de Diamante, um importante centro da indústria em Amberes, Bélgica, sugeriu em seu informe que a ONU estabeleça relações com grandes vendedores.
Esses contatos ajudariam a desenhar "medidas práticas para limitar o acesso da UNITA aos mercados legais de diamantes", assegurou.
Não obstante, os obstáculos persistem. A guerra na vizinha República Democrática do Congo complicou a política regional e enviou refugiados e armas através da fronteira.
Entretanto, os 15 membros do Conselho de Segurança estão cada vez mais cansados das sanções e apoiam cada vez menos os embargos da ONU.
As sanções contra a Líbia serão retiradas em abril e cresce o movimento para cessar o embargo imposto ao Iraque.
Esse ambiente animou a UNITA a desprezar os gestos de paz em Angola e a acusar o governo de ser responsável pela violência.


