Rio - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez ontem um apelo para que os países membros da organização avancem em relação aos compromissos firmados até aqui na Rio+20. Em seu discurso no primeiro dia da reunião de cúpula, em seguida ao da presidente Dilma Rousseff, Ban Ki-moon enfatizou que os países não podem ter êxito sem a participação da sociedade civil - depois que o representante das organizações não governamentais pediu que fosse retirado do comunicado final a menção de sua participação na conferência.
No dia seguinte à aprovação de um comunicado final praticamente desprovido de novos compromissos concretos, para acomodar interesses fortemente divergentes e alcançar o consenso entre os 193 países membros, Ban exortou: ''Agora é a hora de elevar-se sobre interesses nacionais estreitos - de olhar além dos interesses estabelecidos desse ou daquele grupo. É hora de agir com uma visão mais ampla e de longo prazo.'' Numa referência ao título da declaração final, ele acrescentou: ''Aqui na Rio+20 podemos agarrar o futuro que queremos. Não o deixemos passar.''
''Aos milhares de representantes da sociedade civil e dos negócios, ofereço minhas especiais boas-vindas'', continuou o secretário-geral. ''Precisamos absolutamente de sua parceria. Não podemos ter sucesso sem vocês.'' A declaração final fala em ''plena participação da sociedade civil''. Pela manhã, em discurso logo depois da abertura dos trabalhos, o ambientalista Wael Hmaidan, representando as organizações não-governamentais, exigiu que a menção fosse excluída, já que os ambientalistas rejeitam o texto, pela falta de compromissos.
A China, a Índia e o Brasil são criticados pelos países desenvolvidos por insistir, no âmbito do G-77, por eles liderados, que os ricos paguem a conta da conversão para a economia verde, quando essas nações emergentes já atingiram certo grau de prosperidade.
O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, procurou demonstrar que a China está disposta a pôr a mão no bolso. Ele anunciou em seu discurso a destinação de 200 milhões de yuans (US$ 31 milhões) para projetos de desenvolvimento sustentável em ilhas, pequenos países em desenvolvimento e nações africanas, e outros US$ 6 milhões ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) para a capacitação de países em desenvolvimento para ações de proteção ambiental.
O novo presidente da França, o socialista François Hollande, ressuscitou a proposta de um imposto sobre transações financeiras, dessa vez para destinar os recursos a projetos de desenvolvimento sustentável. A proposta de um imposto sobre transações financeiras internacionais foi feita pela primeira vez em 1972 pelo Prêmio Nobel de Economia James Tobin.

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