Washington, 06 (AE) - O Conselho de Segurança das Nações Unidas enviou na noite de hoje (06) uma missão à Indonésia para discutir formas de conter a violência em Timor Leste e garantir a execução dos resultados do referendo de 30 de agosto, no qual 80% dos eleitores da antiga província portuguesa de 850 mil habitantes votaram pela separação da Indonésia.
O mandato limitado que a missão de cinco diplomatas recebeu na noite do domingo, durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, não inclui, por ora, a formação de uma força internacional de paz. A ida da missão a Dili, a capital do território, é incerta e depende da evolução das precárias condições de segurança.
Uma fonte diplomática disse hoje à AE que a organização de uma força de paz depende da disposição do governo da Indonésia de demonstrar que aceita o desejo de independência da maioria dos timorenses e agir contra os grupos paramilitares contrários à separação que desencadearam a campanha de terror depois do anúncio do resultado da votação, na sexta-feira passada.
Timor Leste foi anexado pela Indonésia em 1976, um ano depois de ser abandonado por Portugal.
"Ninguém vai lutar para desembarcar", disse, no domingo, o ministro das Relações Exteriores da Inglaterra, Robin Cook, deixando clara a falta de apetite de seus país para colocar soldados em risco num lugar remoto e numa situação altamente instável e sem um interesse óbvio para seus governos fora a obrigação moral da comunidade internacional de reagir a mais um massacre de civis em potencial.
Os Estados Unidos compartilham essa posição com a Inglaterra. "Se a Indonésia não é capaz de restaurar a ordem com suas próprias forças de segurança (em Timor Leste), deve ao menos permitir que a comunidade internacional ajude a garantir uma transição ordeira", acrescentou Cook.
Até agora, Jacarta recusou-se a autorizar a presença de tropas estrangeiras em Timor Leste e fez disso uma condição para a realização da votação sobre a independência, em negociações com Portugal e os Estados Unidos, no início do ano.
A decisão da ONU de despachar a missão a Jacarta foi tomada atendendo aos apelos do líder do movimento pró-independência, José Ramos Horta, diante das informações de que gangues antiindependência assumiram o controle do território e mataram pelo menos cem pessoas em dois dias.
Hoje pela manhã, Ramos Horta pediu ao governo brasileiro empenho diplomático junto a Jacarta em reunião na residência do chefe da missão brasileira junto às Nações Unidas, embaixador Gelson Fonseca.
Participou da conserva o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa, que estava em Nova York depois de três dias de encontros em Washington, na semana passada.
O Brasil ocupa atualmente uma das dez vagas rotativas do Conselho de Segurança.
No encontro, Ramos Horta enfatizou a importância do papel da Indonésia na restauração da ordem. Segundo ele, os grupos paramilitares, que surgiram sob a proteção do regime de Suharto, o ex-ditador indonésio, atuam hoje de forma autônoma. Segundo o líder timorense, as forças policias e militares indonésias que estão em Timor têm assistido de braços cruzados às ações das gangues e nada fizeram para impedir o ataque, no domingo, contra a residência do bispo Carlos Belo, em Dili.
Dois anos atrás, Belo e Ramos Horta receberam o prêmio Nobel da Paz por sua liderança do movimento pacífico em favor da independência de Timor Leste.

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