San José- Coma menos carne de boi e mais verduras, não use escova elétrica para escovar os dentes e desligue seu computador quando não o estiver usando: essas são algumas das recomendações da campanha da ONU ''Deixe o vício do CO2'', no Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado ontem.
O foco da campanha são os consumidores que andam a pé, que não precisam fazer ''grandes mudanças, ou grandes sacrifícios'', para reduzir pela metade sua cota individual de emissões de gases nocivos ao meio ambiente, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que escolheu a Costa Rica para lançar a iniciativa.
Esse guia para a ''neutralidade do clima'' recomenda uma dieta saudável, com consumo reduzido de carne de boi, já que ''o gado emite muitíssimo metano'', afirmou o diretor regional do PNUMA, Ricardo Sánchez, defendendo que ''se nos tornarmos vegetarianos, melhor''.
Estudos mostram que também é possível reduzir em outros dois milhões de toneladas de dióxido carbono por ano viajando nos aviões com bagagem inferior a 20 kg.
Esse guia prático também aconselha que, todos os dias, despertemos com um relógio tradicional de corda, em vez de usar o alarme de um que seja eletrônico; e que usemos o varal de secar roupa, e não a secadora. Somente isso gera uma economia diária de 48 gramas e 2,3 kg de CO2, respectivamente.
Substituir a caminhada de 45 minutos em uma esteira por uma corrida em um
parque próximo deixará de enviar quase 1 kg dos principais gases causadores do efeito estufa na atmosfera.
A ''mudança dos padrões de consumo'' é prioritária para conter a deterioração do ambiente, decreta Sánchez, insistindo em que ''o consumo não pode ser o paradigma do bem-estar, ou do crescimento''.
Em uma região como a latino-americana, a prioridade é uma mudança do modelo econômico, comentou. ''A região não está bem preparada para as mudanças do aquecimento global e, por isso, a prioridade mais importante é a adaptação à mudança climática, começar a desenvolver ações para mudar a maneira de administrar os ecossistemas, a energia, a economia e os padrões de consumo'', completou.
Sánchez lembrou que a região passa por vários anos de crescimento econômico e que, de acordo com a Cepal, neste ano, crescerá entre 4% e 5%. Já a alta no preço dos alimentos elevará a pobreza em ''5% a 7%'', enquanto que o meio ambiente continuará a se degradar, alertou.
Um exemplo disso, afirmou, é a Amazônia, que a cada ano continua perdendo superfície, ou a América Central, que, à exceção da Costa Rica, ''é a região do mundo com maior índice de desmatamento''.

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