Genebra- A Organização das Nações Unidas (ONU) redefiniu o conceito de má nutrição, que passa a incluir os obesos, além dos que passam fome. A mudança pretende garantir que os governos tenham programas contra a fome e contra o excesso de peso.
De acordo com os especialistas a má nutrição é uma ''condição fisiológica anormal causada por deficiência, excessos ou desequilíbrios na ingestão de calorias, proteínas ou outros nutrientes''.
A delegação brasileira que fez parte da negociação alertou que os países em desenvolvimento sofrem mais, pois além de cuidar de seus obesos, a cada dia em maior número, precisam se preocupar com a falta de alimentos para os mais pobres. A presidente do Comitê Permanente de Nutrição, Catherine Bertini que menos de 2% do dinheiro destinado pelos países ricos ao desenvolvimento dos países mais pobres vai para programas de alimentação.
O alerta principal da ONU é que o problema da obesidade não é apenas dos países pobres. No total, existem 170 milhões de crianças abaixo do peso normal, mas também 300 milhões de adultos obesos nos países emergentes.
Nas economias em desenvolvimento, não são os mais ricos que apresentam os maiores níveis de obesidade, mas a camada que não pode comer de forma saudável. Os alimentos mais gordurosos são os mais baratos e, portanto, mais acessíveis a certos grupos.
Bulas- A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia defendeu ontem, no Rio, a obrigatoriedade de bula nas fórmulas de inibidores de apetite. E também chamou a atenção para a responsabilidade de médico e paciente com o tratamento. Segundo dados divulgados no início do mês pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o campeão do consumo de remédios para emagrecer.
''Todo medicamento tem que vir com a bula junto, pois o paciente tem o direito de saber quais os efeitos colaterais do produto, o princípio ativo, as contra-indicações'', disse a presidente da entidade, Marisa Coral. O uso de inibidores de apetite de maneira continuada pode causar agressividade, aumento da pressão sanguínea e irritação. ''Esta é uma briga antiga e uma grande preocupação nossa, assim como a retirada do uso de hormônios de tireóide no tratamento da obesidade'', disse Marisa.
A exigência de bula está sendo discutida na consulta pública 31 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que trata da manipulação de medicamentos para uso humano. Iniciada em abril, já recebeu mais de duas mil sugestões, foi prorrogada e, no momento, está sendo avaliada pela área técnica da agência.
Ao falar sobre a responsabilidades do médico e do paciente, Coral chamou atenção para os cuidados que devem ser tomados por quem vai procurar um profissional, como a busca de informações antes do início de um tratamento. ''É importante saber que não existem fórmulas mágicas para perder peso. O paciente também tem responsabilidade se decide seguir por esse caminho. Não dá, por exemplo, para perder dez quilos em dez dias'', afirmou.

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