ONU homenageia diplomatas que salvaram 300 mil judeus do Holocausto
Nações Unidas, 04 (AE-AP) - A Segunda Guerra Mundial terminou há 55 anos, mas só ontem (03) à noite a comunidade internacional prestou homenagem a 84 diplomatas praticamente desconhecidos que arriscaram muitas vezes suas vidas para livrar mais de 300 mil judeus das câmaras de gás nazistas.
A cerimônia, na ante-sala da Assembléia Geral, reuniu as famílias da maioria desses diplomatas, como a do vice-cônsul suíço Carl Lutz, que ajudou na fuga de 62 mil judeus húngaros; a do cônsul japonês Chiune Sugihara, que forneceu milhões de vistos a poloneses judeus na Lituânia; e a do vice-cônsul Hiram Bingham, dos EUA, que salvou mais de 2 mil judeus na França, inclusive Marc Chagall e Max Ernst.
Também estavam presentes alguns dos judeus libertados e um dos quatro representantes diplomáticos remanescentes dessas odisséias anônimas: o polonês Jan Karrski, que forneceu aos aliados algumas das primeiras testemunhas das atrocidades nazistas.
Ao lado, a exposição "Vistos para a Vida: os Honrados Diplomatas" ilustra as estratégias adotadas e os desafios enfrentados pelos diplomatas que, nas palavras do Prêmio Nobel de Literatura Elie Wiesel, "ajudaram a manter a esperança no futuro e a fé no Criador e nas criaturas".
Porém, a sorte de um deles, a do diplomata sueco Raoul Wallenberg, continua sendo ignorada. Sua sobrinha Nane Annan, esposa do secretário-geral da ONU Kofi Annan, lembrou-se de ele ter conseguido colocar a salvo e arranjar vistos suecos para cerca de 30 mil judeus húngaros antes de ser aprisionado pelos russos em janeiro de 1945. Lembrou-se também do desespero de sua avó, agarrada ao telefone em busca de notícias do filho Raoul. "Eu nunca o encontrei, mas sei como se sentem as famílias de desaparecidos", desabafou a esposa do secretário-geral.





