Nações Unidas (AE-IPS) - A ofensiva aérea da Otan contra a Iugoslávia, que na quarta-feira passada (05) entrou em sua sétima semana, começa a desestabilizar as frágeis economias da Europa Oriental, advertiu a Comissão Econômica nas Nações Unidas para a Europa (ECE). "Os danos econômicos derivados da guerra já são substanciais", de acordo com o informe anual sobre a situação econômica da Europa divulgado esta semana pela ECE, que tem sua sede em Genebra.
A guerra entre a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a Iugoslávia agregou uma nova dimensão ao pouco favorável ambiente externo de muitas das economias "em transição" da Europa Oriental, adicionou o documento. A guerra só agravou suas perspectivas econômicas a curto prazo, segundo a ECE. Quase todos os países vizinhos da Iugoslávia, incluindo a Albânia, Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Croácia, Hungria, Romênia e a ex-república iugoslava da Macedônia, perderam mercados importantes e fornecedores tradicionais na Iugoslávia. "Laços de transporte desde a parte sul-oriental da Europa sofreram graves danos, a navegação pelo (rio) Danúbio está paralisada pela destruição de pontes em Novi Sad (a cidade), e o trânsito (terrestre, ferroviário e aéreo) está suspenso", explica o informe.
As consequências negativas são especialmente graves para o intercâmbio comercial entre a Europa Ocidental e os países da região dos Bálcãs, sobretudo a Bulgária, a Romênia e a Macedônia. "Como as vias de transporte alternativas têm capacidade limitada, a consequência é a destruição de importantes movimentos comerciais". O bloqueio do Danúbio trará consequências para toda a Europa, já que provoca custosas interrupções no translado de produtos em todos os países que atravessa. Paradoxalmente, a perspectiva negativa para a Europa Oriental acontece em um momento em que os Estados Unidos, que encabeçam os bombardeios contra a Iugoslávia, se tornaram um forte investidor na região.
Perante o Comitê Econômico e Social da ONU, a delegada norte-americana Deborah Linde disse em outubro que Washington tem "forte interesse" em que as economias em transição superem a crise desatada em julho de 1997 pela instabilidade financeira da ásia. Então, pediu para que os países da Europa Oriental e a Rússia adotassem reformas macroeconômicas e estruturais, construíssem sólidos sistemas jurídicos e governos democráticos, buscassem o desenvolvimento social e superassem os "perigos ambientais associados à planificação centralizada".
Pela Lei de Apoio à Democracia da Europa Oriental, Washington entregou mais de US$ 2,2 bilhões à Europa Central entre 1990 e 1995. Desde 1991 também deu US$ 5,1 bilhões aos estados independentes da ex-União Soviética. "Ainda que nos satisfaçam os avanços realizados desde 1990, acreditamos que se deve fazer mais", disse Linde ao Comitê. O informe da ECE, por outro lado, adverte que a guerra aumenta o temor dos investimentos na zona que circunda o conflito. Esta situação "limitará o acesso aos mercados financeiros internacionais e elevará o custo de se obter empréstimos para os países afetados que, em geral, são os que têm mais necessidade de novos fundos", assinalou. Até a Hungria, com uma das menores taxas de risco para o crédito na região, adiou em março uma emissão de bônus de US$ 750 milhões. Quando finalmente fez a emissão em abril, a reduziu para US$ 500 milhões e a um custo maior, informou a ECE. É provável que diminua o ingresso de investimentos estrangeiros diretos na região, advertiu. O fato é que o impacto econômico negativo da guerra será maior para os países da Europa sul-oriental, a maioria dos quais já padeciam de uma situação econômica precária antes da guerra começar", afirmou.

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