Lusaka, 13 (AE-IPS) - Os países da áfrica devem declarar "estado de emergência" contra a aids, que já custou a vida de 11 milhões de pessoas no continente, conclamou hoje (13) o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre a Aids.
"São necessárias medidas de emergência para combater o flagelo da aids, que levou tantas vidas e retardou o desenvolvimento da áfrica", afirmou Peter Piot, diretor-executivo do programa, durante um discurso inaugural da 11ª Conferência Internacional sobre Aids e Doença Sexualmente Transmitidas.
Segundo Piot, o estigma que ainda acompanha a aids na áfrica é um dos principais obstáculos na busca de uma solução do problema. O diretor explicou que muitos doentes não procuram centros de saúde porque não desejam que as pessoas saibam que contraíram a doença.
"A eliminação do estigma da aids é essencial para a luta em seu conjunto. As pessoas nem sabem quais os recursos disponíveis em matéria de atenção à saúde", afirmou Piot.
Linda Francis, falando em nome de pessoas que vivem com o vírus da aids (HIV), fez eco ao chamado de Piot aos governos africanos para que levem mais a sério a epidemia. "Se os países africanos não declararem a aids como um desastre nacional, nossos esforços para combatê-la serão inúteis porque faltará vontade política", advertiu.
Francis também pediu para que os governos africanos cumpram suas promessas de combater a aids, e assinalou que em muitos países existem escassas, quando nenhuma, medidas para deter a epidemia.
Estatísticas mundiais assinalam que 83% de todas as mortes por aids até o momento ocorreram na áfrica. Mais de 11 milhões de africanos morreram de aids desde o começo dos anos 80, e outros 22,5 milhões estão infectados com o HIV, que causa a doença.

mockup