ONU diz que refugiados terão direito de escolher local de moradia
Jacarta, 20 (AE-AP) - Todos as pessoas que foram forçadas a deixar Timor Leste por milícias e tropas indonésias poderão retornar à sua pátria, afirmou hoje (20) o alto comissário da ONU para refugiados, Sadako Ogata.
Ogata, que visitou as multidões de refugiados em Timor Oeste disse que funcionários das Nações Unidas deverão estar chegando à ilha em dois ou três dias para montar campos de refugiados apropriados.
"Temos certos princípios", disse Ogata. "Acampamentos de refugiados deveriam ser de caráter civil, nenhum tipo de arma deveria estar lá, e nós temos que insistir que estas condições sejam reconhecidas".
Assim como em Timor Leste, as pessoas que fugiram para o lado oeste da ilha continuaram sendo alvo fácil das milícias pró-Jacarta, que, com o consentimento do exército indonésia, roubaram e aterrorizaram aqueles que eles acreditavam haviam votado a favor da independência no referendo supervisionado pela ONU.
Os milicianos estão impedindo que as pessoas retornem para suas casas em Timor Leste em um aparente esforço para justificar sua reivindicação de que a ONU fraudou o plebiscito, no qual quatro quintos do eleitoral optaram pela independência.
Embora a polícia e o exército indonésios tenham sido acusados de colaborar com as milícias pró-Jacarta, Ogata não expressou nenhuma reserva sobre deixar os refugiados em Timor Oeste sob o controle de autoridades indonésias.
"Eu terei que confiar na polícia indonésia e fazer de tudo para que a permanência dos refugiados seja segura", disse Ogata depois de se reunir com o presidente indonésio, B.J. Habibie.





