ONU destaca desigualdade no Brasil
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de setembro de 1998
France Presse 
O informe 1998 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), publicado ontem, destaca as desigualdades de rendas e desenvolvimento social na América Latina, sobretudo no Brasil.
Nesse país, o mais povoado do continente (165 milhões de habitantes), metade da população mais pobre compartilhava 18% da renda nacional em 1960. Em 1995, essa parte se reduziu a 11,6%.
Os 10% mais ricos possuíam 54% da renda nacional em 1960. Essa proporção subiu para 63% em 1995.
Na Costa Rica, nos anos 80, 20% dos mais ricos dispunham de renda por habitante de 14.400 dólares, frente aos 1.340 dólares dos mais pobres.
O PNUD lembra que as 225 maiores fortunas mundiais totalizam um patrimônio de 1,015 trilhão de dólares. Há 143 nos países da OCDE (para um total de 637 bilhões de dólares), 43 na Ásia (233 bilhões de dólares), 22 na América Latina e no Caribe (55 bilhões), 4 na Europa do Leste e CEI (8 bilhões) e 2 na África sub-sahariana (4 bilhões, na África do Sul).
Mas no Brasil, 28,7% da população vivem abaixo do nível de pobreza, com menos de um dólar por dia. No Chile essa porcentagem é de 15%.
Houve alguns avanços, apesar de tudo: entre 1960 e 1995, a taxa de mortalidade infantil se reduziu de 116 a 44 por mil no Brasil.
A expectativa de vida é de 66 anos no Brasil enquanto Cuba e Chile, com 75 anos, têm um nível de países industrializados.
O total de gasto de consumo na América do Sul e no Caribe é de 1,3 bilhão de dólares.
Signo da mundialização dos modos de consumo, o número de restaurantes McDonald na América Latina passou de 212 em 1991 a 837 em 1996.


