Genebra - A relatora especial da ONU sobre as formas contemporâneas de escravidão, Gulnara Shahinian, manifestou nesta terça-feira ao Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, a sua preocupação com os trabalhos forçados no Brasil e com ''a impunidade'' dos culpados.
''A impunidade de que gozam os proprietários de bens imóveis, as companhias internacionais ou locais e os intermediários, como os ''gatos'' (nome dado aos intermediários), ameaça as ações exemplares realizadas pelo Brasil na luta contra os trabalhos forçados'', ressalta a especialista em um relatório.
Para redigir este documento, Gulnara viajou ao Brasil, onde permaneceu de 17 a 28 de maio. Constatou que os trabalhos forçados existiam na indústria têxtil, e também nas áreas rurais, principalmente em criações de gado. Ela afirma que ''as vítimas são, principalmente, homens e crianças maiores de 15 anos''.
Embora a escravidão tenha sido abolida oficialmente no Brasil em 1888, o País ainda sofre com esta mazela, já que alguns empresários se aproveitam da pobreza em que vive parte da população, disposta a trabalhar em condições degradantes. Sem condições de se sustentar, esses trabalhadores acabam presos a dívidas com seus patrões.
Na semana passada, as autoridades brasileiras libertaram 95 pessoas que trabalhavam em plantações de cana de açúcar em condições próximas à escravidão.
''O governo do Brasil reconhece a gravidade dos trabalhos forçados como uma violação grave dos Direitos Humanos e como uma violação de nossa Constituição'', afirmou a embaixadora brasileira na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, do Conselho de Direitos Humanos. ''Sua erradicação completa é uma prioridade e um imperativo moral'', acrescentou.

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