ONU cobra ação contra prostituição infantil
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004
Agência Folha 
São Paulo- As autoridades brasileiras devem trabalhar mais para acabar com o problema da prostituição infantil e do turismo sexual, além de criar novas leis para ajudar os adolescentes, disse ontem Juan Miguel Petit, relator especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para questões referentes ao tráfico, prostituição e pornografia infantil.
''O compromisso político do governo para lutar contra a exploração sexual infantil é forte e tangível'', disse Petit. No entanto, segundo ele, é necessária a criação de regras mais duras para proteger as crianças e os adolescentes envolvidos na prostituição -número que pode ultrapassar o 500 mil.
Para o representante da ONU, o turismo sexual é a principal forma de exploração de crianças no país.
''A imagem do turismo brasileiro está muito associada a jovens adolescentes, que aparecem seminuas em catálogos. A imagem passada é a de uma exótica aventura sexual, que pode ser facilmente avaliada pelos turistas quando eles passam pelo país'', disse.
Petit, que esteve no Brasil em novembro, afirmou que a prostituição infantil é ''ostensivamente visível'' na noite carioca, como na praia de Copacabana.
Segundo o representante, em uma prisão juvenil, 22% das garotas detidas no local, acusadas por homicídio, cometeram o crime para escapar de estupros ou outro tipo de abuso sexual. ''Isso é uma dramática indicação do ciclo violento que é perpetuado e agravado pelo abuso sexual.''


