Genebra, 18 (AE-AP) - A Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas aprovou hoje (18) em Genebra, por 21 votos a 18, uma moção de censura contra Cuba pela situação dos direitos humanos na ilha. A resolução foi apresentada pela Polônia e República Checa, dois ex-aliados do governo de Havana.
A moção expressa "preocupação pela contínua repressão dos membros da oposição política e pela detenção de dissidentes".
Catorze países abstiveram-se, entre os quais o Brasil.
"É do conhecimento geral que o respeito aos direitos humanos por parte das autoridades cubanas não melhorou no ano passado", disse o embaixador checho na ONU, Miroslav Somol, ao apresentar a moção ante a comissão de 53 membros.
Cuba insistiu que o "verdadeiro autor" da resolução era o governo dos Estados Unidos.
"É triste o papel de lacaio do imperalismo ianque da República Checha nesta manobra anticubana", reagiu o governo da ilha comunista.
Poucas horas depois da votação cerca de 100 mil de pessoas, em sua maioria estudantes e funcionários públicos convocados pelo governo, promoveram uma passeata na frente da embaixada checa em Havana, gritando slogans como "agentes do imperialismo, traidores, marionetes e lacaios". As forças de segurança isolaram as ruas ao redor da sede diplomática da República Checha para organizar a manifestação.
O embaixador cubano, Carlos Amat, numa referência ao episódio do menino cubano Elián González, afirmou que os americanos criticam outros países ao mesmo tempo em que se mostram incapazes de fazer com que a lei prevaleça em seu próprio território.
Os países da União Européia endossaram a moção, mas o embaixador português, álvaro Mendonça, ressalvou que a resolução deveria ter contido alguma referência aos efeitos negativos do embargo econômico promovido pelos EUA.
Já o governo chinês contou mais uma vez com o apoio de muitos países do Terceiro Mundo para conseguir impedir a aprovação de uma moção que acusava a China de suprimir a religião e reprimir os dissidentes, encaminhada pelos Estados Unidos.
A resolução foi derrotada por 22 votos a 18, com 12 abstenções. O Brasil também se absteve nessa votação.

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