São Paulo- Após 25 anos e 25 milhões de mortes, a luta contra a Aids dá um bom sinal. De acordo com relatório do Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), houve um retardamento da propagação da epidemia em nível mundial. Atualmente, 38,6 milhões de pessoas vivem com HIV/Aids -previsões do ano passado, baseadas em 2004, previam 40 milhões.
O relatório de 630 páginas do Unaids contabiliza ainda mais de 4 milhões de pessoas infectadas e 2,8 milhões de mortes, em 2005. Pela primeira vez, desde sua criação há dez anos, o Unaids realizou uma pesquisa sobre a epidemia com a participação da sociedade civil para recolher e analisar dados.
Os números apresentados ontem são inferiores às projeções feitas em 2005, o que o Unaids explica por meio da maior quantidade de dados disponíveis e à maior população analisada. O trabalho foi realizado em 126 países e abordou todos o adultos maiores de 15 anos, e não apenas aqueles com idades entre 15 e 49 anos, como era feito antes.
Mas a ONU também faz advertências preocupantes: mostra que a Índia se tornou o país com maior número de infectados em todo o mundo, e há expansão do número dos infectados em regiões como o Leste Europeu e a Ásia central.
''Eu penso que, mais adiante, nós vamos ver a globalização da epidemia, que estará espalhada por todas as partes do planeta'', disse Peter Piot, chefe do Unaids.
Com cerca de 620 mil infectados, o Brasil concentra a maior população de soropositivos, como diz o relatório, pelo tamanho da população. Como nos últimos anos, a ONU elogia o programa brasileiro de combate à doença.
Na América Latina, a ONU estima que 140 mil pessoas tenham contraído o HIV em 2005, elevando para 1,6 milhão o número de infectados. Também no ano passado, a região perdeu 59 mil pessoas para a doença.
O novo relatório mostra que a Índia tem 5,7 milhões de pessoas infectadas, segundo números de 2005, superando a África do Sul, que possui 5,5 milhões de casos. Levando-se em consideração o percentual da população, chega-se ao resultado de 18,8% de soropositivos adultos na África do Sul, contra 0,9% na Índia.
O Unaids calcula que entre 270 mil e 680 mil habitantes da Índia morreram de Aids desde que a doença foi detectada, em 1981. A maioria foi infectada após manter relações heterossexuais sem o uso de preservativos.
Somente 7% dos indianos que necessitam de tratamento antiretroviral tiveram acesso a ele durante o ano passado e apenas 1,6% das mulheres grávidas soropositivas tomam os medicamentos apropriados para impedir a transmissão do vírus para seus bebês.

mockup