Depois de 22 milhões de mortos vítimas da Aids, os 189 Estados membros da ONU aprovaram um plano mundial de guerra contra a doença, que conclama os países à prevenção e ao tratamento, mas que não menciona os grupos mais golpeados pela enfermidade, como os homossexuais.
Nos entulhados e coloridos corredores da ONU, muitas vozes destacam que o ponto fraco desta maratona de três dias contra a Aids vem sendo o pouco entusiasmo demonstrado concretamente pelos países ricos ao Fundo Global concebido pelo secretário geral, Kofi Annan.
Para Annan, que foi reeleito ontem para um segundo mandato na ONU, uma das principais conquistas desta reunião foi o fato de os governos do mundo se comprometerem a encarar abertamente a luta contra a Aids como prioridade.
‘‘Temos um documento que expõe um plano de batalha bem definido na guerra contra a Aids, com objetivos claros e um calendário preciso’’, acrescentou Annan, qualificando de ‘‘histórica’’ esta reunião, à qual compareceram 30 chefes de Estado, principalmente da África, e ministros da saúde do mundo inteiro.
Para muitos participantes, o sucesso desta primeira sessão da Assembléia Geral dedicada exclusivamente a um assunto de saúde está no fato de que, depois de longos e acres debates, os países conseguiram pôr-se de acordo num documento relacionado ao combate da pandemia que infectou 36 milhões de pessoas no mundo.
O documento, intitulado ‘‘Ante uma crise global, uma ação global’’, define objetivos de prevenção e de tratamento da epidemia, destacando os ‘‘direitos humanos’’ das pessoas contaminadas pela Aids, e a necessidade de maiores esforços na pesquisa, até a descoberta de uma vacina.
O texto reafirma o direito das pessoas mais vulneráveis ao vírus, ‘‘devido a suas orientações e comportamentos sexuais’’, de proteção e tratamento contra a doença, embora não mencione explicitamente os homossexuais, as lésbicas, as prostitutas, os viciados em drogas e os presos.
O Secretário Geral, que declarou, na abertura segunda-feira da conferência que não se podia lutar contra esta enfermidade se comportamientos sexuais fossem ‘‘estigmatizados’’ ou se deixava no ‘‘ostracismo’’ os infectados pela Aids, reconheceu nesta quarta-feira em entrevista à imprensa que o documento pôs de manifesto ‘‘dolorosas diferenças’’.
Depois de três dias de debates e centenas de manifestações de boa vontade para lutar contra a doença, a ONU tampouco conseguiu arrancar dos países ricos o dinheiro necessário para lutar contra a doença.
Annan havia pedido entre US$ 7 bilhões e US$ 10 bilhões anuais para lutar contra a Aids. Ao final da reunião de cúpula, a guerra contra a Aids reuniu apenas US$ 645 milhões.

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