France Presse


Albari Rosa


DramaInacio Cruz joga água tentando resfriar paredes de sua casa em Apiaú, ameaçada pelo fogo. Bombeiros do Paraná (foto inferior) vão ajudar no combate ao incêndioDepois de mais de três meses, o governo brasileiro aceitou a ajuda oferecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para combater o incêndio em Roraima. O departamento de ajuda emergencial para o meio ambiente da ONU (em Genebra) ofereceu, em novembro do ano passado, auxílio ao governo brasileiro para apagar os primeiros focos de incêndio. Mas, na época, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) avaliou a situação, não a considerou emergencial e decidiu esperar.
Somente ontem pela manhã as autoridades brasileiras enviaram documento à ONU formalizando a aceitação da ajuda. A demora provocou críticas de ambientalistas, que acreditam que o incêndio já poderia estar debelado ou mesmo com menores proporções, caso o Brasil tivesse aceitado ajuda há três meses.
O chefe do departamento de ajuda da ONU, Vladimir Sakharov, se mostrou surpreso com a demora do governo brasileiro. ‘‘Agora que fomos contactados, vamos dar o suporte necessário para combater essa tragédia que está devastando a Amazônia , diz Sakharov.
Ele ainda não sabe qual será o efetivo de bombeiros e técnicos e o suporte de equipamentos que o Brasil é prioritário. Segundo a reportagem apurou, as autoridades brasileiras preferem o empréstimo de equipamentos ao envio de mais bombeiros. O coordenador do Sistema Nações Unidas no Brasil, Walter Franco, um dos responsáveis pela demora, divulgou carta à imprensa ontem, informando que ‘‘dada as gravíssimas proporções (do incêndio em Roraima), a situação passa ‘‘a requerer resposta imediata .
‘‘É um absurdo essa ‘‘rapidez’ do governo brasileiro no caso de Roraima. Se essa oferta tivesse sido aceita há dois meses, ainda seria possível evitar tal desastre , afirma o coordenador do Programa Amazônia da ONG Amigos da Terra, Roberto Smeraldi. Na carta à imprensa, Franco diz que iniciou os arranjos necessários para o envio imediato de uma missão com especialistas em combate a incêndios florestais.
Franco descarta a curto prazo a formação e envio de uma força multinacional (intitulada capacetes verdes) para ajudar a combater os incêndios em Roraima. ‘‘Cabe lembrar que trata-se de uma proposta que poderá se viabilizar somente a mais longo prazo, pois necessita do concurso de países membros da Organização das Nações Unidas bem como de decisão específica do seu Secretariado Geral , diz a carta.

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