Dili, 08 (AE-AP) - Atendendo aos apelos de refugiados timorenses, a Organização das Nações Unidas decidiu adiar para sexta-feira a retirada de sua missão (Unamet) do Timor Leste, temendo que uma saída imediata pudesse provocar ainda mais violência.
Hoje pela manhã, a ONU havia anunciado que mais de 200 militares, policiais e funcionários internacionais e cerca de 160 funcionários locais da missão seriam retirados amanhã (09) da província indonésia.
A sede da Unamet, na qual permanecem cerca de 2 mil refugiados timorenses, está cercada por soldados indonésios que vêm ajudando os milicianos a impedir o acesso ao prédio. Eles estão disparando esporadicamente contra a instalação, aparentemente para atemorizar seus ocupantes.
A situação dos membros da Unamet agravou-se hoje depois que um comboio da ONU que tentava levar alimentos e remédios aos refugiados na sede foi atacado por um grupo de mais de 50 milicianos armados com fuzis M-16, paus e machetes.
Um dia depois da imposição da lei marcial em Timor Leste, as milícias prosseguiam com sua campanha de violência, disseram membros da Unamet. Mas, em Jacarta, o ministro da Defesa indonésia, general Wiranto, afirmou que a situação em Timor Leste já estava sob controle. "Já não estão ocorrendo disparos nem há casas incendiadas", declarou o general à imprensa.
Ele também negou os insistentes rumores de que o presidente B. J. Habibie planejava renunciar por causa da crise em Timor Leste. De acordo com os boatos, as Forças Armadas estariam irritadas com Habibie por permitir a realização do plebiscito do dia 30 de agosto, organizado pela ONU, que resultou amplamente favorável à independência de Timor Leste.
Apesar da situação de violência, hoje ainda não havia um consenso sobre o envio de uma força de pacificação internacional. O secretário-geral da ONU exortou novamente o governo indonésio a aceitar a força de paz. No entanto, o porta-voz das Forças Armadas indonésias, general Sudrajat, qualificou o prazo de 48 horas dado por Annan na terça-feira de irreal. Ele disse que as Forças Armadas ainda tinham a capacidade para restaurar e manter a ordem em Timor Leste.
Desde o anúncio do resultado do plebiscito, no sábado, centenas de timorenses foram mortos pelos milicianos. Fontes da ONU estimam que até 200 mil pessoas - um quarto da população - deixaram o território por terra, mar e ar. Segundo informações, mais de 50 mil pessoas cruzaram a fronteira com Timor Oeste.
João da Silva Tavares e Eurico Guterres, altos comandantes das principais milícias pró-Jacarta reuniram-se hoje com Adam Damiri, chefe das Forças de Segurança em Timor, e teriam prometido encerrar a campanha de terror. Mas todas as promessas anteriores nunca foram honradas pelas milícias.
Cinco membros de uma delegação especial do Conselho de Segurança da ONU reuniram-se hoje em Jacarta com o chanceler indonésio, Ali Alatas, e discutiram sobre a forma de acabar com o caos em Timor sem chegar a um acordo. Alatas frustrou a intenção da delegação de reunir-se com Habibie ao reiterar que a Indonésia não aceitará o envio da força de paz até a ratificação do resultado do plebiscito pelo Parlamento em novembro.

mockup