ONU adia referendo em Timor Leste; Indonésia protesta.
Jacarta, 23 (AE-AP) - O ministro das Relações Exteriores da Indonésia, Ali Alatas, disse hoje (23) que o fator segurança não deveria ser usado como desculpa para o adiamento do referendo sobre independência em Timor Leste.
Hoje, o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, informou ao Conselho de Segurança do organismo que a votação deveria ser postergada, citando a contínua violência na ex-colônia portuguesa como justificativa. Segundo ele, o referendo, que estava programado para 8 de agosto, deveria ser realizado entre os dias 21 e 22 do mesmo mês.
"Pensamos que o adiamento (do referendo) não é necessário", disse Alatas a jornalistas em Jacarta. "Acreditamos que a segurança está melhorando e temos certeza de que até 8 de agosto a situação estará completamente resolvida".
Alatas, que afirmou não ter sido oficialmente informado da decisão de Annan, disse que qualquer demora poderia estar relacionada também a problemas de logística que afetam a Missão de Assistência da ONU em Timor Leste (UNAMET), responsável pela fiscalização do referendo.
O porta-voz da UNAMET, David Wimhurst, por sua vez, considerou a decisão uma atitude positiva. "Dará para todos a chance de lidar com os problemas de segurança, permitirá o retorno das pessoas que tiveram que abandonar suas casas e nos dará tempo organizar tudo".
Além das preocupações sobre violência, Wimhurst admitiu problemas de logística. A inscrição dos eleitores, por exemplo, que deveria ter começado há dois dias, ainda não tem data prevista.
O primeiro grupo de 70 voluntários que trabalharão no registro dos eleitores e e na supervisão da referendo chegou em Dili, capital timorense, hoje. Mais funcionários chegarão a cada semana durante o próximo mês.
Um total de 248 conselheiros internacionais e 600 funcionários civis vigiarão a realização do referendo.





